Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 29/10/2020
O filme Hacker, épico de 2015, mostra a grande habilidade tecnológica do detento Chris Hemsworth, que foi essencial para auxiliar os policiais na investigação de crimes. Embora na ficção essa capacidade fosse usada para fins benéficos, na realidade isso não ocorre, uma vez que os crimes cibernéticos estão cada vez mais presentes no meio digital, evidenciando um despreparo da sociedade brasileira frete ao problema. Dessa forma, é crucial debater sobre a educação deficitária e a insuficiência legislativa para que o impasse seja amenizado.
Primeiramente, a precariedade de ensino sobre a devida utilização dos meios tecnológicos é evidente no país. Segundo Paulo Freire, importante filósofo brasileiro, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Consoante com o pensador, é indubitável que o déficit na instrução escolar influencia no aumento de crimes cibernéticos, posto que a didática brasileira, focada apenas em disponibilizar conhecimentos acadêmicos, que, muitas vezes, não serão aplicados na vivência, não instrui sobre a forma segura de manusear eletrônicos. Assim, com uma população desinformada, os usuários ilegais possuem um vasto espaço para ações criminosas, prejudicando as vítimas com roubo de informações pessoais, furtos financeiros, invasão à integridade infantil com sites pornográficos, dentre outros malefícios que devem ser erradicados.
Outrossim, a ausência de leis eficientes é mais um fator que corrobora na perpetuação de atitudes ilegais no meio digital. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, fundador da escola peripatética, a política tem como função preservar o respeito entre as pessoas de uma sociedade. Nesse sentido, é evidente que essa função não é exercida, visto que a negligência às denúncias digitais é cada vez mais constante e a fiscalização nas redes é claramente escassa, devido à cultura brasileira de conformidade com o teórico, sem a ocupação de reivindicar a prática. Consequentemente, a criminalidade persiste sem a aplicação das sanções e, à medida que a tecnologia evolui, isso também ocorre com a execução dos crimes, provocando um aumento exponencial no problema.
Logo, é inegável que há entraves na solidificação de soluções para o obstáculo. Portanto, para reverter a realidade, o Ministério da Educação deve, por meio de profissionais em informática, inserir na grade curricular uma disciplina que instrua os alunos, desde os anos iniciais, sobre a utilização segura da tecnologia. Tal ensino deve ser feito por aulas práticas semanais, e a partir do Ensino Médio o corpo discente deverá criar um projeto de fiscalização viável para sua região, em conjunto com as prefeituras municipais, a fim de garantir a segurança e um contato tecnológico próximo. Destarte, assim como no filme Hacker, o vasto conhecimento digital será utilizado para o bem da população.