Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 21/12/2020
Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se na chamada modernidade líquida, na qual as alterações fugazes da tecnolgia regem uma sociedade marcada pela velocidade da mudança. Nesse sentido, o avanço da computação trouxe consigo a problemática dos crimes cibernéticos, os quais - pela sua recente origem - ainda são pouco combatidos pelos órgãos competentes e negligenciados pela população em geral, o que deve ser solucionado.
Em primeiro plano, as instituições de segurança, pouco adaptadas à tecnologia, são ineficazes no combate às infrações na internet, o que propicia o avanço de tais crimes. Nesse sentido, na obra ’’ Fogo Morto’’, José Lins do Rego expõe a situação do engenho Santa Fé, que, por falta de inovação e adaptação, tornou-se obsoleto e faliu. Fora da ficção, verifica-se que a ausência de profissionais qualificados e treinados para combater as contravenções cibernéticas representa grave entrave para que um efetivo ambiente seguro instale-se na nação, levando, assim, à falência o sistema de controle dos crimes virtuais. Desse modo, enquanto agentes desqualificados forem a regra, um ambiente seguro nas redes será uma utopia.
Ademais, a negligência da população sobre a necessidade de se proteger contra ataques e crimes virtuais corrobora para que tais fatos sejam comuns na sociedade. Nesse viés, a revolução técnico-científico-informacional estabeleceu a computação na modernidade, o que acelerou o ritmo de produção e abriu oportunidades para criminosos no ambiente das redes. Ocorre que a modernização das tecnologias veio desacompanhada de uma qualificação e aprendizado da população sobre como utilizá-la seguramente, o que propicia que os menos aptos no uso da internet estejam vulneráveis a crimes cibernéticos, os quais poderiam ser evitados com a educação tecnológica da nação.
Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Segurança Pública, em parceria com as escolas, promova a educação tecnológica da população brasileira. Isso poderia ser feito por meio de aulas práticas e oficinas que ensinassem o uso seguro da internet e como se proteger de ameaças virtuais, num projeto chamado ‘‘Segurança Virtual Real’’. Além disso, tal ministério deve também investir na qualificação de seus agentes, para que esses estejam aptos ao combate de crimes cibernéticos. Com essas medidas, a fim de combater o avanço das infrações virtuais no país, poder-se-á atingir uma sociedade livre, justa e solidária, tal qual objetivado pela Carta Magna.