Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 12/11/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa francesa Simone de Beauvoir pode servir de metáfora ao avanço dos crimes cibernéticos no Brasil, visto que, por mais escandaloso que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto da fragilidade social quanto do silenciamento pessoal.

Deve-se analisar, precipuamente, que a falta de conhecimento diante as redes é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se que tal panorama ocorre por conta do desinteresse pessoal em aprender a manusear uma nova ferramenta tecnológica. Dessa forma, a sociedade torna-se vulnerável a tais crimes cibernéticos em virtude do precário conhecimento frente essas redes de entretenimento virtual. Vale lembrar também, que muitos desses golpes acarretam diariamente a sociabilidade dos idosos, uma vez que sem o entendimento exato tornam-se persuadidos pelos autores a repassarem seus dados pessoais. Logo, é substancial a dissolução desse cenário infringente.

É vital salientar, ainda, em segundo plano, que o avanço dos crimes cibernéticos encontram terrenos férteis no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição dizendo que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a dissolução desses crimes, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento da Norton Cyber Seurity, em 2017, o Brasil passou a ser o segundo país com maior número de casos criminológicos cibernéticos. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação  nela.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com a secretaria especial do Ministério da Segurança Pública, por meio de ações: fiscalizações mais amplas nas redes, publicações nas mídias sociais, bate-papos nos centros urbanos e propagandas televisíveis, orientar toda parcela populacional sobre tais crimes e como evitá-los aderindo um comportamento mais critico ante essas ferramentas tecnológicas, para que, de tal forma, a sociedade nacional possa estar mais resguardada desses transtornos sociais e psicológicos. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação brasileira .