Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 16/11/2020
O filme ’’ Invasão de Privacidade’’, catalogado na Netflix, conta a história de uma família que possui seus dados monitorados por um hacker, o qual, em momentos oportunos, lança nas plataformas digitais vídeos íntimos da família. Apesar de ficção, tal crime é observado nos tempos hodiernos, em que as pessoas se aproveitam da vulnerabilidade de outros indivíduos. Nessa égide, esse fator desencadeia-se, seja pela falta de conhecimento populacional ou pela indigência governamental. Por esses motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa triste realidade.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que a maioria dos usuários da rede tecnológica é composta de crianças e jovens. Nesse cenário, a plataforma digital exerce um poder coercitivo sobre esses indivíduos, manipulando-os a fornecer dados pessoais ou fotos que comprometam a dignidade de tais sujeitos. Nesse diapasão, a falta de uma orientação efetiva contra esses crimes contribui para uma maior disseminação desses atos intoleráveis e, consequentemente, uma série de prejuízos para as vítimas. Consoante a Pierre Bourdieu, ‘‘a violência simbólica é uma forma de coerção que se baseia em acordos não conscientes entre as estruturas objetivas e as estruturas mentais’’. Nessa perspectiva, perceber-se que o conhecimento é um alicerce definitivo, no que tange à proteção contra crimes cibernéticos.
Faz-se mister ressaltar, ainda, que o investimento governamental, no que se refere à busca de procedimentos que evitem os crimes via internet, é exíguo. Destarte, a verba que deveria ser destinada a esses setores acaba sendo aplicada em áreas de menor importância econômica, o que torna tal situação inercial. Sob essa ótica, os usuários encontram-se desassistidos e os criminosos têm uma maior facilidade em aplicar os golpes virtuais. Parafraseando Émile Durkheim, cabe ao Estado a responsabilidade de gerenciar as questões que envolvam as coletividades. Em contrapartida, o que se vê é o descaso estatal em gerenciar oportunidades que viabilizem uma mudança efetiva. Logo, medidas devem ser engendradas com veemência para atingir o bem-estar social.
Evidencia-se, diante do olhar físico de Isaac Newton, que um corpo só pode sair da inércia se uma força lhe for aplicada. Portanto, urge uma parceria entre as escolas e as famílias, realizando a inserção do estudo sobre os perigos virtuais em currículo escolar, por meio de debates, palestras ou até peças teatrais que retratem os impactos dos crimes cibernéticos, tendo os pais como plateia, com o fito de incentivar o diálogo em casa e possibilitar a formação de cidadãos mais conscientes e atentos. Assim, o filme ‘‘Invasão de privacidade’’ não será mais a mimetização da contemporaneidade.