Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 18/11/2020

Em “West World”, é retratado um momento em que a empresa financiadora da ilha de autômatos rouba informações privilegiadas de visitantes do parque. Assim sendo, essa apropriação é feita de for-ma não consensual e imperceptível. Em vista real e hodierna, isso ocorre constantemente no mundo cibernético e constitui um grande desafio para interações virtuais seguras. Nesse âmbito, a dificuldade no combate dessas violações  consiste seja na falta de uma educação informática para tomada de precauções individuais, seja no descaso das “startups” em promover conexão sem segurança efetiva.

Previamente, é mister que a sociedade está imersa no que Marshall defende como aldeia global -para ele, baseado no fluxo intenso de informações e no “encurtamento” das distâncias. Não obstante, grande parte dos usuários só possuem um conhecimento básico do uso dessas tecnologias. Nesse seguimento, os torna vulneráveis em meio ao que Guy Deborn chama de Sociedade do Espetáculo. Consoante Deborn, ocorre a espetacularização e exposição demasiado das pessoas nas redes -em busca de seguidores e autovalorização baseada em opiniões nas redes sociais. Nesse contexto, esses crimes cibernéticos, somado a não utilização de “softwares” e antivírus, ficam mais propícios a ocorrer, principalmente com autoridades, celebridades e demais figuras publicas.

Em segundo plano, a corrida capitalista em alcançar maior mercado consumidor e, por consequência,

mais lucros, fazem as grandes corporações investirem na expansão das redes sem preocupação real na segurança dos navegadores. Dessa forma, atitudes internas de cada Estado devem ser tomadas para mitigação dessa problemática, uma vez que os crimes podem abranger desde espionagens inter-nacionais até “rackeamento” de dispositivos e roubo de dados. A título de exemplo, de acordo com o portal de notícias G1, o processo sofrido pelo Facebook acusado de roubar informações de seus usuários e, mais recente, a questão envolvendo o aplicativo chinês “Tik Tok” e o governo americano. Assim, é necessário a atuação de centros de inteligência para promover segurança à nação.

Logo, fica claro que é impreterível mitigar os crimes virtuais. Para tanto, os órgãos do Estado, responsáveis pela tecnologia e seguridade brasileira, devem investir em delegacias específicas com legislações válidas, aplicáveis e rígidas. Essa ação poderá ser feita construindo uma dessas instituições em cada capital estadual - ou de acordo com a demanda- e será composta por “hackers” do governo para investigações, policiais, peritos e mais profissionais especializados. Ademais, as punições poderão

variar entre multas e reclusão social de acordo com a infração cometida - baseada em uma legislação voltada para criminalidade no meio digital. Assim, somado ao incentivo da adesão de aplicativos de segurança as massas, será atingido o fito de mitigar os desafios e fazer de “West Word” apenas ficção.