Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 20/12/2020

Um dos episódios da série “Black Mirror” retrata a falta de liberdade na internet ao contar a história de um jovem que tem seu computador hackeado e é filmado em um momento íntimo. Na obra, o menino sofre graves ameaças e tem que cumprir certos desafios para que seu vídeo não seja publicado. Fora da ficção, acontecimentos desse tipo também são muito comuns. Nesse âmbito, a internet deixou de ser apenas um espaço para se divertir, se comunicar ou trabalhar e passou a abranger a falta de segurança e de privacidade. Assim, os crimes cibernéticos estão cada vez mais frequentes no Brasil e no mundo e envolvem desde câmeras nos aparelhos eletrônicos até dados de contas no banco. Tal problemática persiste por raízes sociais e pessoais.

Em primeiro lugar, é importante destacar que as relações da época contemporânea são muitas vezes pautadas apenas em interesses. Isto é, o indivíduo tende a pensar em si próprio em primeiro lugar e visa obter vantagens em todas as situações. Entre esses proveitos estão a busca por riqueza, status e fama ou, ainda, causar o sofrimento alheio. Nesse contexto, Thomas Hobbes dizia que “o homem é o lobo do próprio homem”, ou seja, é uma ameaça à própria espécie por conta de sua natureza má e egoísta. Dessa forma, esses vínculos se estendem à internet e as pessoas tiram proveito das situações para que sejam beneficiadas, seja por meio de roubos diretos ou coação.

Além disso, outro fator a ser destacado é a falta de cuidado diante do aumento do uso da tecnologia. Nesse viés, muitas pessoas não tem conhecimento, por exemplo, sobre a importância do uso de senhas em sites e aplicativos ou do bloqueio de câmeras nos dispositivos. Dessa maneira, os crimes são realizados no meio digital de modo fácil e rápida. Como consequência, grande parte da população é afetada e tem informações pessoais acessadas por terceiros, além de perder sua liberdade. Nesse cenário, segundo dados da Multinational Symantec, uma empresa de segurança na internet, no Brasil, surgem 54 vítimas dessa delinquência a cada minuto.

Observa-se, portanto, que as razões de ordem social e pessoal dificultam o combate aos crimes cibernéticos. Destarte, medidas são necessárias. É preciso que a escola e a família se unam para incentivar as crianças a pensarem mais no próximo para que seja criada uma sociedade futura mais empática. Isso deve ser feito por intermédio de práticas constantes e exemplos concretos de boas ações, o que, desse jeito, tornar-se-á um hábito. Para mais, é papel das impresas que utilizam tecnologia promover o fim desse problema, por meio da imposição de condições mais rígidas, como senhas elaboradas, exigência de cadastro e medidas de proteção contra hackers, a fim de que não haja perigos no ambiente digital. Com essas ações será possível fazer da internet algo mais seguro.