Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 04/01/2021

No início da Idade Moderna, houve o processo de formação de uma “nobreza letrada”, a qual buscou aprender a ler e a escrever não apenas para se adequar aos novos movimentos da época, mas também porque gozava de capital suficiente a fim de se dedicar somente ao processo de alfabetização, enquanto a maior parte da sociedade necessitava trabalhar de modo incessante para sobreviver. Todavia, apesar de essa situação datar de séculos atrás, o período atual tem a mesma conotação: aprendizagem da leitura e da escrita atrelada às discrepantes oportunidades. Sob essa perspectiva, seja pelo descaso do governo, seja pela desigualdade presente no país, há demasiados desafios no que tange à alfabetização no Brasil.

Nesse sentido, a negligência governamental é um dos fatores impeditivos para o ensino concreto da leitura, da escrita e da interpretação aos brasileiros. Dessa forma, cabe salientar que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada em 2017, cerca de 7% da população brasileira com 15 anos ou mais é analfabeta. Sob essa ótica, é imprescindível ressaltar que o Estado, apesar de ser regido pela Constituição de 1988-a qual garante o direito ao processo de alfabetização para todos os cidadãos-, não cumpre, de modo eficaz, a legislação e o seu papel de mantenedor da educação, tendo em vista que grande parte das escolas públicas brasileiras não tem verba suficiente para preparar o corpo docente de forma eficaz e para melhorar a estrutura escolar com o objetivo de alfabetizar os alunos. Tal situação ocorre devido ao egoísmo de certos políticos, os quais priorizam a votação favorável ao aumento no próprio salário no Congresso, em detrimento de pautas democráticas, como a melhora do sistema básico de ensino, e, por conseguinte, os números da Pnad Contínua refletem a realidade de uma sociedade com indivíduos marginalizados e analfabetos em decorrência do desinteresse estatal.

Ademais, a desigualdade social é uma das causas para os precários níveis de alfabetização na população da nação canarinha. Nesse viés, é evidente que muitos cidadãos, em razão da do baixo poderio econômico, necessitam trabalhar em vez de estudar, haja vista que a assistência governamental para a permanência na escola é insuficiente, consequentemente, alguns são praticamente obrigados a abandonar os estudos para ajudar a família a comprar itens básicos, como água e comida. Desse modo, tal evasão escolar causa grande déficit no processo de alfabetização, já que o aluno não consegue acompanhar as aulas e aprender plenamente os mecanismos da leitura e da escrita, o que pode formar não só, no pior dos casos, cidadãos completamente analfabetos, como também analfabetos funcionais, que são sujeitos os quais têm a noção da junção das letras, entretanto não conseguem interpretar textos. Essa situação relaciona-se com a célebre frase do economista Thomas Piketty, “o capitalismo gera desigualdades arbitrárias e insustentáveis”, uma vez que, em razão da falta de capital e de amparo social para manter os estudos, o cidadão não consegue ser alfabetizado, o que acarreta a marginalização desse indivíduo, já que é extremamente árduo conseguir empregos dignos e ascender economicamente quando não há a plena oportunidade da alfabetização. Portanto, torna-se evidente que há imensos desafios para alfabetizar os brasileiros, porém que podem ser transpostos. Posto isso, cabe à sociedade civil, juntamente com os movimentos militantes, pressionar o Poder Público para que haja um real interesse pelo ensino básico, mediante manifestações nas ruas e no meio virtual que evidenciem a necessidade de maior verba para a formação adequada de professores e para a melhoria na estrutura das escolas, com o fito de garantir a íntegra alfabetização de todos os indivíduos. Além disso, é obrigação do Governo Federal, em parceria com os governos municipais e estaduais, tornar possível a permanência dos cidadãos no ambiente escolar, por meio do oferecimento de subsídios para as famílias mais carentes, a fim de permitir que as crianças e os adolescentes de tais núcleos familiares tenham a oportunidade de ser alfabetizados e, como consequência disso, ter dignidade e qualidade de vida. Sendo assim, essa coesão de forças pode ajudar a mitigar a problemática.