Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 28/06/2021

Na série “Black Mirror” da Netflix, no terceiro episódio da terceira temporada, conta a história de um rapaz que foi filmado em sua privacidade e que passa a ser chantageado por um grupo de hackers. O garoto para que suas intimidades não sejam divulgadas vira refém dos criminosos. De maneira análoga à história fictícia, fica evidente que a questão do combate aos crimes cibernéticos vêm se tornado primordial, pois, a natureza e as intenções dos malfeitores estão a cada dia que passa mais abrangente. Nesse sentido, devemos analisar tal quadro, intrinsecamente ligado à desinformação da grande massa e da insuficiente capacitação operacional das instituições governamentais.

Atualmente, observa-se o aumento expressivo dos números de golpes sofridos na rede pela população, o que se intensificou com a pandemia do Corona Vírus, porém, em 2019, o Brasil já era o terceiro país no ranking dos que sofrem mais ataques cibernéticos, de acordo com um relatório global divulgado pela Symantec.  Nesse viés, a desinformação da população sobre como se comportar no mundo online, se torna um dos motivos principais na disseminação desse crime. No que comporta principalmente a população mais velha, pois, sem o conhecimento de certas tecnologias e as formas sobre seu uso seguro, são mais suscetíveis a cair em golpes espalhados por todas as regiões, como o do WhatsApp clonado, em que pessoas se passam por conhecidos para extorquir dinheiro.

Ademais, quando se refere a busca pelas forças policiais aos criminosos, encontra-se uma dificuldade  em localizar e como consequência aplicar a devida punição perante a lei. Não que nossa legislação seja precária em relação ao crime, mas pelo simples fato dos culpados na maioria das vezes saírem impunes por falta de provas que os liguem ao feito. Em vista disso, a insuficiente capacitação operacional das instituições governamentais alicerça esse fator, porque os profissionais de polícias deveriam, no mínimo, dominarem o mesmo tipo de tecnologia, a ponto de estarem em condições técnicas de cometerem o mesmo crime objeto da investigação. Não sendo assim, seriam incapazes de comprovar as ações que ligariam os infratores aos delitos e que ajudem no seu devido julgamento.

Pode-se perceber, portanto, que medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental que o governo federal, por meio do Ministério das Comunicações, divulguem campanhas sobre informações de como se proteger em relação a todos os tipo de ataques cibernéticos, divulgando crimes e atualizando a população sobre novos que estejam aparecendo. Ainda cabe ao Ministério da justiça e Segurança Pública, aperfeiçoar sua equipe, por meio de seleções e treinamentos para que os agentes possam ser capacitados para o trabalho e que entendam a fundo o mundo das tecnologias, a ponto de que se torne um hábito localizar e punir esse tipo de transgressão no país.