Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 12/01/2021
Na era tecnológica atual, fenômenos como o da fake news têm sido potencializados pelos algoritmos das plataformas virtuais, que tornam famosas as publicações de conteúdo duvidoso e, geralmente, odioso. Da mesma forma, com o advento das redes sociais na internet, a realização de crimes cibernéticos se tornou instigada e potencializada, erigindo, então, dois principais desafios no combate a eles: a visibilidade dos conteúdos infratores e a impunidade dos atos infracionais, que atua como amparo a essas práticas.
A princípio, vale citar que as redes sociais proporcionam visibilidade às pessoas que nelas navegam, mas, para isso, elas precisam gerar engajamento em suas publicações, isto é, comentários, curtidas e compartilhamentos. Sendo assim, portanto, postagens que geram discórdia, como as de caráter odioso - quando se dissemina comentários misóginos, por exemplo -, rapidamente ganham engajamento e, destarte, visibilidade. Esse cenário, aliás, é estudado pelo sociólogo Ruud Koopmans, o qual aponta que discursos polarizantes, assim como os odiosos, geram discussões sobre eles mesmos, provocando sua própria ressonância e, por fim, notoriedade. Evidencia-se, pois, que a própria internet é um terreno fértil para os crimes cibernéticos, uma vez que seus praticantes sabem que, executando-os, ganharão visibilidade.
Ademais, pôsteres preconceituosos são descomplicadamente publicados na internet, sem que, para tanto, sejam investigados e sem que se culpabilize o infrator. Visto isso, a realidade cibernética é um cenário hóspito para com crimes em seu entorno, pois, como bem afirma o filósofo Zygmunt Bauman, o indivíduo moderno tem a mesma facilidade para desconectar que tem para conectar em certa plataforma virtual. Ou seja, como rastrear um usuário criminoso, se a qualquer momento este pode desconectar-se e impune seguir o curso de sua vida? Eis, assim, outro entrave no combate a crimes na internet, já que a impunidade os mantêm vivos.
Espera-se, nesse sentido, que as corporações tech - responsáveis pelo gerenciamento das mais famosas redes sociais, a exemplo do Instagram - orquestrem um mecanismo sofisticado que anule o efeito do engajamento em postagens de conteúdo criminoso, assim como que, verdadeiramente, casse usuários que frequentemente promovem pôsteres dessa natureza, contornando o que discutem Koopmans e Bauman. Essas medidas deverão ser feitas, inclusive, mediante o amparo governamental dos países que sediam essas corporações e mediante o subsídio delas próprias, objetivando, enfim, mitigar ambos os impasses em se tratando do combate aos crimes cibernéticos.