Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 28/01/2021

De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês falecido em 2017, a velocidade é a principal marca dos dias de hoje. Nesse sentido, a rapidez que caracteriza a pós-modernidade afeta negativamente diversos aspectos da vida cotidiana, dentre eles, os desafios no combate aos crimes cibernéticos. Um grande reflexo da atual conjuntura é a alarmante falta de estrutura policial no enfrentamento desses crimes, bem como o despreparo dos usuários ao fazer uso da internet. Logo, é imperativo que o poder público e a sociedade se unam para enfrentar esse problema.

É certo que este problema é bastante contemporâneo e, em decorrência disso, ainda há grande despreparo em seu enfrentamento. Nesse sentido, uma política criminal voltada estes crimes só começaram a ser estabelecida em 2001, quando ocorreu a Convenção de Budapeste sobre “Cibercrimes”, e, apesar da existência de lei no Brasil que abarque o tema, observou-se que há um despreparo no executivo em efetivá-la. Posto isto, o Delegado Claudionor Rocha, em seu livro “Crimes Cibernéticos: desafios da investigação” aponta como principais barreiras para a resolução desses crimes a falta de profissionais especializados em ferramentas virtuais e também em tecnologia de investigação. Diante do exposto, nota-se a urgência do melhor preparo no executivo, frente a inaceitável ineficiência deste em um país de altos investimentos em segurança.

Outrossim, segundo a Terceira Lei de Newton, toda reação gera uma ação de igual intensidade. Nesse sentido, a velocidade em que o homem transforma seu modo de se relacionar com o mundo provoca reações que gera sérios problemas tanto para o indivíduo quanto para toda a sociedade. A principal problemática é a ignorância da população em relação ao mundo virtual. Nesta perspectiva, o relatório de Privacidade Global 2020 apontou que significativo percentual dos brasileiros não são conscientes de como seus dados são usados na internet. Assim, os crimes cibernéticos crescem exponencialmente, sendo 130 mil apenas em 2018, segundo os dados do Ministério Público Federal.

Portanto, a melhoria da estrutura da polícia no enfrentamento do crime cibernético aliado ao preparo dos usuários da internet são os caminhos que devem ser trilhados pela sociedade brasileira objetivando o combate aos crimes cibernéticos. Para tanto, o Governo precisa investir no preparo dos policiais para enfrentar tal crime com o intuito tornar a investigação mais eficaz no Brasil. Ademais, o Ministério da Educação deve inserir nas escolas, desde as séries iniciais, formas de promover a educação das crianças sobre questões relacionadas à internet e ao uso consciente dos meios tecnológicos com o intuito de tornar cidadãos mais responsáveis. Afinal, segundo Paulo Freire, se a educação não conseguir transformar uma sociedade, sem esta, tampouco, a sociedade conseguirá.