Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 28/05/2021
Fruto de um histórico de concepções distorcidas, os desafios no combate aos crimes cibernéticos, demonstram a gênese de uma sociedade que se despe de valores e de respeito. Esse panorama perturbador aponta a inexpressividade do Poder Público quanto à garantia da segurança, bem como destaca a negligência de algumas instituições formadoras de opinião durante a construção de uma mentalidade social que valorize a integridade virtual.
Com efeito, é valido pontuar que para John Locke, defensor do Contrato Social, é dever do Estado garantir os direitos fundamentais de uma sociedade. Entretanto, a privacidade e a segurança, mesmo sendo, em teoria, asseguradas pela Constituição Federal de 1988, não é unânime e diversos indivíduos são colocados à margem dessa realidade. Nesse viés, o relativismo criado entre os direitos supracitados, onde há um limite no qual a segurança deturpa a privacidade, por muitas vezes, atrapalha o seu bom funcionamento, em conjunto da má administração governamental e os falhos sistemas de segurança pública.
Outrossim, é pertinente salientar que as empresas privadas oferecem sistemas de excelente qualidade, para aqueles que procuram uma segurança extra. Todavia, além do preço alto, a sociedade atual, sobretudo a parte mais carente, ainda não foi instruída sobre a gravidade dos crimes virtuais, portanto, o uso de ferramentas que auxiliam no combate ainda é considerado ineficaz para a grande parte da população. Nesse prima, essas violações são geralmente, não atingem uma grande parcela de pessoas, o que gera uma atitude individualista daqueles que já detêm a informação sobre a importância da proteção virtual, demonstrando a falta de altruísmo, o que defronta o pensamento de Levinas, no qual o filosofo contemporâneo enfatiza que a preocupação com o outro deve fazer parte da lógica cotidiana.
Portanto, fica exposto que a desconstrução de valores e de respeito são edificados sob a égide da individualidade. Logo, urge ao governo, a criação e manutenção de programas de segurança, através de investimentos no Sistema Brasileiro de Inteligência, para o combate aos crimes virtuais, que frequentemente não são descobertos. Ademais, por parte da população já instruída, a disseminação da importância da seguridade cibernética, por palestras esclarecedoras e vide as redes sociais. Assim, poder-se-á garantir o Contrato defendido por Locke, bem como, a alteridade de Levinas.