Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 09/10/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De maneira análoga a isso, o trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade, percebe-se que a sociedade encontra obstáculos no seu desenvolvimento, no que se refere à trajetória para os desafios do combate aos crimes perpetrados no ambiente virtual. Desse modo, dois aspectos importantes se destacam: a negligência governamental na construção de delegacias em regiões afastadas dos grandes centros e a ausência de debate contra o comportamento inadequado.

Primeiramente, é indubitável a negligência governamental em relação à distribuição de delegacias de crimes cibernéticos, tendo em vista que a maioria está localizada nos grandes centros. Segundo dados do portal G1, cerca de 70% das plataformas da internet não possuem sistemas de segurança como Google, Facebook, Twitter e Instagram, o que explicita a propagação de crimes informáticos causados pelos aplicativos maliciosos e lojas virtuais falsas. Conquanto, evidencia-se a carência estrutural de instituições policiais e a fragilidade da segurança dos dados virtuais.

Outrossim, é notória a dificuldade encontrada no comportamento inadequado dos usuários de internet, uma vez que, por ser ainda mais frequentes nas redes sociais, tem a ausência de debate. Nesse sentido, o filósofo e sociólogo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, ou seja, a sociedade deve debater e ressaltar a importância do comportamento ético em todas as redes sociais. Sendo assim, fazem-se necessárias políticas que busquem medidas para combater crimes cibernéticos, de forma que a ótima expectativa apresentada por Habermas seja valorizada no Brasil.

Em vista dos fatos supracitados, torna-se evidente os desafios no combate aos crimes informáticos no país, seja no aspecto estrutural, seja no social. Nesse prisma, cabe ao Governo Federal, em parceria público-privada, incentivar a criação de projetos de segurança da informação por meio de um acordo de isenção fiscal progressiva relativa a distancia da cidade em relação aos grandes centros, a fim de que a educação digital se expanda para todo o território brasileiro e possa chegar nas áreas mais remotas. Ademais, o Ministério da Educação deve promover amplo debate escolar acerca de atividades criminosas nas redes sociais, independentemente da idade, gênero, religião e recursos econômicos, com o intuito de estimular conhecimento de estudantes para evitar a vulnerabilidade do programa e proteger das ameaças. Somente assim, essa problemática será gradativamente erradicada e a nação ascenderá rumo ao desenvolvimento.