Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 16/08/2021

A Revolução Técnico Científica Informacional, iniciada em 1970, contou com um objetivo claro de interligar as pessoas superando o espaço físico através de um sistema online, no qual as pessoas conseguem acessar seus dados e se aproximarem uma das outras por qualquer dispositivo conectado à internet. Desde então, a internet se tornou um mecanismo indispensável para o relacionamento dos indivíduos uns para com os outros e com o meio em que vivem. Entretanto, o espaço virtual tem sido uma área propícia à ocorrência de crimes cibernéticos como fraudes, roubos de dados e estelionatos devido a quantidade de informações que nele são veiculados. Desse modo, a globalização e a exposição excessiva de dados são tidos como responsáveis pelo quadro.

Diante disso, é válido ressaltar que a globalização como a integração dos meios de comunicação é um grande desafio para o combate de crimes cibernéticos. Nesse contexto, segundo o escritor Manuel Castells, em sua obra ‘’A sociedade em rede’’, a globalização proporcionou através da internet e das mídias, redes digitais que processam e distribuem informação a partir de conhecimento individual acumulado de centenas pessoas. Desse modo, o meio virtual se tornou um grande contingente de conhecimentos pessoais em que quem consegue burlar a privacidade virtual e acessar essas informações, têm qualquer dado necessário para um cibercrime. Em síntese, a globalização tornou possível o aumento no número de casos envolvendo a violação de privacidade online, fazendo com que cada dia mais pessoas sejam feitas vítimas. Além disso, pode-se dizer que o compartilhamento excessivo nas redes onlines torna as pessoas mais vulneráveis a crimes cibernéticos. Posto isso, Thomas Hobbes, filósofo inglês, em sua obra ‘’ O Leviatã ‘’, afirma que ‘’o homem é o lobo do homem’’. Para o filósofo, o homem é seu maior inimigo, sendo capaz de fazer qualquer coisa, até mesmo ferir um semelhante, para sair em vantagem. Desse modo, o criminoso que conta com as informações disponibilizadas desmedidamente pela vítima comete o crime e exerce sua natureza proposta por Hobbes, fazendo da oportunidade um fato para sair avantajado. Em suma, a exposição excessiva de dados pessoais, principalmente em redes sociais, chamam a atenção de um grande número de criminosos em potencial que utilizam dessas informações para realizarem seus golpes devido a consistência e importância das mesmas.

Portanto, cabe à mídia, principal veículo formador de opiniões, instruir a população sobre os riscos que o excesso de exposição no meio digital pode trazer, por meio de palestras com especialistas, com o objetivo de controlar a privacidade nas redes sociais. Ademais, o Governo Federal precisa investir no aprimoramento da privacidade digital. Desse modo, as transgressões cibernéticas serão combatidas.