Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 16/08/2021
A fragilidade na proteção de informações em meios digitais é fruto, principalmente, da falta de experiência sobre o uso correto de equipamentos eletrônicos. O número significante de indivíduos despreparados para navegar online com segurança facilita o acesso em maior escala a dados pessoais por hackers. Assim, esse fenômeno, que marca a pós-modernidade, prejudica uma grande parcela populacional. Nesse sentido, faz-se necessário analisar as dificuldades do combate aos crimes digitais em âmbito social.
Diante desse cenário, é importante apontar que os rápidos avanços computacionais tornaram uma parte considerável da população despreparada para usufruir das ferramentas existentes sem risco. Partindo disso, não é difícil compreender por que, segundo o Ministério Público Federal, foram contabilizados, aproximadamente, 130 mil queixas de delitos virtuais, em 2018. Isso pode ser explicado por “Sociedade em Rede”, de Manuel Castells, segundo o qual a sociedade forma um círculo de inovação, a partir da aplicação de novas informações para gerar mais informação. Com efeito, apesar de mais tecnologia ser criada, o ser humano não acompanha o ciclo e se torna incapaz de utilizar plenamente o que lhe é oferecido. Sob esse viés, a complexidade que os aparelhos apresentam facilita o cometimento de erros que comprometam o usuário. Dessa forma, a redução do índice de atos maliciosos cometidos não ocorrerá, exceto se as lacunas causadas pelo atraso forem cobertas.
Vale ressaltar, também, que por uma falsa confiança em relação às próprias habilidades na internet, cidadãos podem se descuidar e se tornarem alvos de ataques hackers. Nesse aspecto, o “efeito Dunning-Kruger” teoriza sobre como o baixo nível de conhecimento impede o indivíduo de reconhecer o quanto, de fato, sabe. Isso ocorre normalmente porque, por pouco saber, é formada uma concepção limitada sobre o assunto, que não o abrange completamente, limitando as áreas que acredita-se que devem ser melhoradas. Em suma, a falta de consciência sobre a própria ignorância favorece o vazamento de dados pessoais por facilitar deslizes quando online. Dessa maneira, é imprescindível que a educação amplie a visão acerca dos serviços digitais, para diminuir a quantidade de afetados.
Portanto, é preciso enfrentar os desafios no combate ao crime cibernético. Desse modo, é necessário que a escola promova contato com aparelhos tecnológicos desde a infância, assim como mostre os prejuízos causados aos usuários -para atingir mais amplamente tanto aqueles que podem ser prejudicados quanto os que podem cometer delitos- com o intuito de controlar e diminuir as taxas de denúncias. Logo, o evidenciado por Castells não ocorrerá.