Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 16/08/2021
De acordo com o site “www.em.com.br”, são registrados, todos os dias, cerca de 360 casos de crimes “cibernéticos” em todo o país. Esses dados revelam uma realidade inegável, na qual delitos desse tipo estão mais presentes. Logo, é necessário que se analize os desafios existententes, responsáveis por agravar esse cenário. Caso contrário a situação nunca mudará.
Convém ressaltar, diante disso, a dificuldade presente quando se trata da fiscalização de crimes “cibernéticos”. Segundo Manuel Castells, a revolução tecnológica deu origem a uma “Sociedade Informacional”, na qual a rede faz parte da vida de todos os indivíduos, e a comunicação é o centro. Sob esse viés, o fluxo das informações e a rapidez com que elas são veiculadas, gera uma deficiência no controle de todo esse sistema - principalmente em países subdesenvolvidos. Tais regiões, por não apresentarem, muitas vezes, a infraestrutura necessária para regular o desenvolver desse processo, vulnerabilizam sua população. Exemplo disso foi o escândalo, no Brasil, envolvendo a cantora Luísa Sonza, em 2019, que teve sua conta do Intagram “hackeada”, na qual foi publicada uma foto indevida, sem seu consentimento. Desse modo, não so Luísa, mas centenas de pessoas que deveriam ter suas vidas privadas são suscetíveis a esse tipo de invasão.
Outro ponto importante é a falta de consciência da própria população sobre segurança online. De acordo com Hannah Arendt, o fenômeno da “Banalidade do Mal”, ocorre com a naturalização de certos costumes devido à massificação. O indivíduo torna-se, além disso - com o tempo - incapaz de refletir sobre seus atos. Nessa perspectiva, o hábito de lidar com redes sociais a todo momento criou uma população que não sabe distinguir quando está ou não, sendo vítima de um delito cibernético. Exemplo disso é a exacerbada quantidade de dados, os quais devem ser fornecidos a todo momento para o funcionamento correto de aplicarivos. Então, por conta desse costume de permitir acesso a informações pessoais, a sociedade não sabe mais quando tem suas informações pessoais vazadas. Desse modo, o que deve ser questionado é: de que lado estão as redes - que necessitam de tantos dados - nessa guerra pela segurança virtual?
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para transformar o ambiente cibernético em um mais seguro. Assim, cabe as redes sociais - por serem o principal agente vulnerabilizador da massa popular a tais delitos - reverter cultura da naturalização da exposição de dados, por meio da redução de informações pessoais que são requisitadas para o seu uso, a fim de que se desconstrua a irreflexão do ser humano em relação a isso. Somente com ações assim é que a segurança no meio digital poderá ser verdadeira.