Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 16/08/2021
Segundo a multinacional Symantec (empresa de segurança virtual), a cada minuto, 54 crimes virtuais são registrados no Brasil. Esses dados revelam uma realidade que não há como negar: a grande ocorrência de delitos online. Diante desse cenário, é imprescindível não só explicar as razões da existência desse problema, mas também considerar os impactos decorrentes de tal prática e os desafios para combatê-la. Nesse sentido, é necessário que algo seja feito a respeito dos desafios na luta contra crimes cibernéticos.
Partindo dessa realidade, vale considerar o conceito de modernidade líquida. Segundo a óptica de Bauman, a sociedade atual é baseada em frágeis relações, tanto econômicas quanto sociais. Sob esse viés, pode-se afirmar que essas relações debilitadas são facilmente perceptíveis, a partir do momento em que se observa as atitudes indiferentes de certos tipos de pessoas. Em vista disso, entende-se que a internet pode se tornar um ambiente propício a diversos tipos de ameças, perseguições, preconceitos, compartilhameto de vídeos agressivos como pornografia intantil, mutilações ou assassinatos. Formando assim, uma gama de fatores que compõem infrações cibernéticas.
Cabe mencionar, também, a grande massa de informações e conteúdos violentos consumidos pelos indivíduos diariamente, tornando-se uma coisa banal e cotidiana, remetendo ao conceito de “banalidade do mal” de Hannah Arendt. Segundo a pensadora, como resultado da massificação da sociedade, criou-se uma multidão incapaz de fazer julgamentos morais, razão por que aceitam e cumprem ordens sem questionar. Nesse sentido, o mal atinge grupos sociais quando encontra espaço institucional, ou seja, instala-se no vácuo do pensamento, trivializando a violência. Logo, resultado da irreflexão, a banalidade do mal impede que os indivíduos tenham discernimento e crítica ética, o que leva à violência. Caso essa postura permaneça, não só serão maiores os desafios para combater os crimes cibernéticos, mas também, consequentemente, o homem estará prejudicando unica e exclusivamente a ele mesmo, segundo Thomas Hobbes.
Portanto, esse descompasso deve ser evitado e corrigido o quanto antes, Para tanto, é papel do Ministério da Justiça e Segurança Pública promover serviços ou amostras em escolas públicas e privadas - tanto de ensino fundamental quanto médio - por meio de palestras a fim de instruir crianças e jovens a respeito dos cuidados necessários ao navegar nas redes sociais ou nos navegadores, como um todo. Dessa maneira, espera-se que haja mudanças e uma possível diminuição dos números de ocorrências de crimes online, assim, evitando o efeito autodestrutivo já previsto por Hobbes.