Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 16/08/2021
Os avanços tecnológicos alavancados no século 21 proporcionaram uma maior popularização e adesão da internet e seus recursos pela população brasileira, por meio dos computadores, smartphones, blogs e mídias sociais. O acesso aos referentes meios de comunicação possibilitou a construção de uma rede de comunicação entre pessoas ao redor do mundo de maneira fácil e prática, por meio de apenas alguns cliques na tela do telefone. Contudo, as interações online também trouxeram uma realidade em que crimes de agressão a integridade e privacidade dos usuários se tornaram facilitados devido ao senso de impunidade gerado pelo anonimado favorecido pelas mídias sociais.
De acordo com o sociólogo Manuel Castells, os avanços tecnológicos construíram e integraram ao mundo atual uma “sociedade em rede”, isto é, uma organização social na qual a troca de informações e interações ocorre principalmente por meio de aparelhos eletrônicos. Castells afirma que o convívio por meio da internet ocorre de maneira superficial, limitando, assim, a construção de uma conexão entre os indivíduos. Tal impessoalidade nas interações acompanhada do senso de liberdade proporcionado pelas mídias, possibilitam e servem de incentivo para ataques cibernéticos, tendo em vista que o agressor não interage pessoalmente com sua vítima e consegue facilmente esconder sua identidade por meio de dados falsos.
Em virtude desse novo cenário na sociedade, a quantidade de crimes cibernéticos cresceu enquanto o número de redes sociais foi se multiplicando. São diversos os casos de agressões morais, discursos violentos e vazamento de informações pessoais que ocorreram por meio das redes sociais, ferindo diretamente a privacidade e segurança do usuário. A exemplo, em agosto de 2021, o filho da cantora Walkyria Santos cometeu suicídio após receber ataques homofóbicos em uma de suas redes sociais. Vale ressaltar que homofobia é crime no Brasil e fere os direitos humanos garantidos na Constituição Federal de 1988, portanto os agressores responsáveis pelo caso, assim como vários outros que se escondem por trás de perfis falsos na internet, devem ser julgados e penalizados pelos seus crimes. Entretanto, o anonimato proporcionado por essas redes torna difícil a identificação dos criminosos.
Em conclusão, é possível evidenciar a necessidade que o país tem de fiscalizar e incrementar as medidas de proteção aos usuários da internet. É dever da União, responsável pela administração de recursos federais, investir por meio de verbas públicas nas investigações, por parte das autoridades, direcionadas aos crimes cibernéticos, visando acabar com o senso de impunidade proporcionado pela internet.