Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 22/08/2021
Na série documental “Dark Net”, são expostos o perigos do ambiente virtual em razão das inúmeras ações ilegais. De modo paralelo, é fato que essa infeliz realidade, relacionada aos crimes cibernéticos, também está presente no Brasil e possui desafios para ser combatida. Nesse sentido, a problemática supracitada ainda não foi mitigada devido à falta de informações sobre segurança digital e à impunidade dos transgressores.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o desconhecimento acerca da proteção contra crimes virtuais é um obstáculo para a contenção desse mal. A esse respeito, conforme o pedagogo Paulo Freire, o real papel da educação envolve o desenvolvimento de senso crítico associado ao ensino de referências úteis na vida dos discentes. Contudo, esse intuito não se encontra cumprido na promoção de saberes pertinentes à segurança cibernética, visto que as instituições acadêmicas priorizam lições arcaicas em detrimento de inovações curriculares. Nessa lógica, os alunos são privados da aprendizagem de comportamentos básicos na esfera computacional e, por conseguinte, tornam-se indefesos perante as horríveis transgressões eletrônicas, como roubo de identidade, desvio de dinheiro e violação de imagem. Sendo assim, constata-se a necessidade de disseminar informações que preservem os indivíduos.
Ademais, outro entrave que atenua a supressão de infrações cibernéticas é a dificuldade existente na punição dos delinquentes. Nesse contexto, segundo a filósofa Hannah Arendt, atos irrefletidos e constantes resultam na banalização de crueldades. Sob esse viés, os bandidos naturalizam os crimes virtuais em virtude na ineficiência investigativa, uma vez que a carência de recursos estatais, tais como funcionários qualificados e bons sistemas operacionais, destinados ao combate de violações informacionais estimula a continuidade de ações ilegais e, por consequência, a normalização proveniente da impunidade. Dessarte, fica evidente a premência de elevar a eficácia das fiscalizações, a fim de evitar a trivialização de atitudes ilícitas.
Portanto, medidas são necessárias para combater as violações cibernéticas. Diante desse fito, urge que o Ministério da Educação, por meio de aulas especiais e de reformas no currículo basilar, inclua o ensino de práticas seguras no âmbito digital, a citar a escolha de senhas fortes e o resguardo de informações particulares. Além disso, o Ministério Público deve, por intermédio da contratação de empregados capacitados e da renovação dos servidores computacionais, aumentar e aperfeiçoar as inspeções direcionadas à apreensão dos infratores virtuais, com a finalidade de eliminar a relativização do mal. Desse modo, será possível distanciar-se dos riscos apresentados na série “Dark Net”.