Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 24/08/2021

Escrito por George Orwell, o livro “1984” retrata um governo distópico que manipula os dados políticos para que, assim, além de manter seu autoritarismo, pode alienar uma opinião pública em relação aos conteúdos publicados. Além do cenário ficcional, pode-se perceber que o advento tecnológico possibilitou outros meios de manipulação de registros e informações, abrindo margem, assim, para os crimes cibernéticos. Diante do exposto, faz-se necessário discutir sobre a banalização dos delitos e sobre a facilidade de invasão e propagação de dados.

Primordialmente, não é de hoje que para muitas pessoas o meio virtual é uma terra sem lei, sendo assim, diversos crimes passaram a ser ignorados. Segundo o Jornal do Comércio, ao menos 65% da população adulta do Brasil já foi vítima de crimes cibernéticos, entretanto, boa parte que não denuncia o crime sofrido. Dessa forma, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, o ato de não tratar tal acontecimento com a seriedade necessária é conhecido, como: banalização do mal. Para a filósofa, o ser humano já está tão acostumado com uma maldade, com a crueldade, que já se tornou algo sem importância. Portanto, uma tentativa de combate aos crimes cibernéticos torna-se ainda mais árdua devido ao empecilho que é o ato de ignorar os crimes cometidos, fazendo com que os delitos continuem a acontecer devido à sensação de impunidade.

Outrossim, a falsa segurança tecnológica é outro fator que corrobora para que os crimes na internet ocorram. Segundo o professor de Marketing Digital, André Miceli, existe o paradoxo entre segurança e liberdade no meio digital. Dessa forma, muitas pessoas ao acreditarem que estão seguras ao entrar em sites e aplicativos desconhecidos, acabam “caindo” em golpes, visto que, com apenas um clique, hackers acessando dados e informações pessoais. Portanto, uma desinformação sobre o que é ou não confiável no meio digital, colabora para o aumento de crimes cibernéticos.

Diante dos dados técnicos, medidas são necessárias para a conjuntura vigente. Nesse contexto, faz-se necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, órgão responsável pela modernização dos meios tecnológicos, crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias em redes sociais que detalhem sobre como agir caso o indivíduo venha a ser vítima de delitos cibernéticos, para que assim, as pessoas que cometem esse tipo de crime não fiquem impunes. Atrelado a isso, faz-se necessário, também, o detalhamento sobre como identificar se um site ou aplicativo é seguro, ou não. Dessa forma, estratégias para manipulação de dados, assim como as inteligências utilizadas no livro “1984”, não irão obter êxito.