Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 24/08/2021
O documentário “Privacidade Hackeada” exibe o real cenário envolvendo a empresa Cambridge Analytica, a qual coletou dados de 87 milhões de usuários do Facebook sem permissão. Apesar dessa narrativa transmitir um escândalo internacional, crimes cibernéticos, sobretudo de pequena repercussão, são frequentes no Brasil. Nesse viés, é fundamental analisar os dois principais desafios no combate a esses crimes: a carência da instrução digital e a falta de capacitação de agentes.
Em uma primeira abordagem, deve-se falar que a educação é imprescindível para a construção de cidadãos conscientes e informados. Nessa perspectiva, o ensino possui grande relação com o combate aos crimes cibernéticos, pois ele é fundamental para a propagação da instrução digital. Nesse contexto, a Escola deve ensinar os estudantes sobre as formas de navegar na rede com segurança. Contudo, no Brasil, a Escola é uma “Instituição Zumbi”, conceito que, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, representa uma entidade que perdeu sua função social, pois ela forma indivíduos somente para o mercado de trabalho, mas não está preocupada em criar cidadãos conscientes. Diante disso, no país, os brasileiros não são condicionados pelas instituições educacionais sobre a prevenção aos crimes cibernéticos o que representa um risco no combate a essa questão.
Em uma segunda análise, deve-se dizer, ainda, que, conforme dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, houve 156692 denúncias envolvendo o cibercrime. Nesse sentido, mesmo existindo leis para combater crimes cibernéticos, como o Marco civil da Internet e a Lei Carolina Dieckmann, essas violações são realidades constantes no Brasil. Isso porque os criminosos digitais utilizam o mundo tecnológico para agir de forma anônima e para modificar a formar de seus “ataques” constantemente, o que dificulta sua identificação pela polícia. Dessa maneira, os agentes de segurança devem ter capacitação especializada para combater essas violações e se atualizarem sobre as novas formas de “ataques” usadas pelos criminosos. Porém, na sociedade brasileira, essa capacitação dos policiais não ocorre, o que dificulta o combate a esses crimes.
Portanto, o combate aos crimes cibernéticos deve ultrapassar diversos desafios. Assim, é necessário que o Ministério da Educação pare de ser uma “Instituição Zumbi”, por intermédio da criação de um programa escolar, o qual deve utilizar as aulas de sociologia para propagar o ensino digital, objetivando prevenir os cibercrimes. Além disso, a Polícia Civil deve capacitar seus agentes, por meio da criação de cursos especializados em crimes virtuais, além da reciclagem de policiais da área para a atualização das formas de combater essas violações, para que exista a diminuição de casos relacionados a essa questão. Dessa forma, o cenário mostrado no documentário não será mais uma realidade.