Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 02/11/2021

No ano de 2021, um grupo de “hackers” internacional publicou, nas redes sociais, informações  pessoais do presidente do Jair Bolsonaro (presidente do Brasil), nela continham dados do cartão e informações bancárias, o que possibilitou, para quem visualizou a postagem, fazer compras utilizando a conta do presidente violado. Paralelamente a isso, na sociedade atual, a violação da privacidade dos cidadãos é realizada por grupos bem organizados e o número de casos cresce constantemente. Dessa forma, faz-se necessário discutir os desafios no combate aos crimes cibernéticos, a fim de mitigar as mazelas desses atos.

Diante desse panorama, vale destacar que as pessoas que sofrem com os ataques cibernéticos expuseram, em algum momento, seus aparelhos eletrônicos e contas à redes e conexões “on-line” não seguras, o que deixaram-nas vulneráveis aos criminosos, capazes de roubar informações pessoais e de caráter sigiloso. Com efeito, Pierre Levy diz que toda tecnologia gera seus excluídos. Desse modo, as pessoas que não se adaptaram à era digital em que a sociedade contemporânea está inserida estão sujeitas a crimes cibernéticos devido à má utilização de seus equipamentos digitais.

Ademais, de acordo com o ISP (Instituto de Segurança Pública), os golpes digitais no ano de 2019 aumentaram em 200% comparados aos de 2020, fato que expõe a alta frequência dessa violação e o desconhecimento da população com relação aos recursos tecnológicos atuais. Segundo a socióloga Hannah Arendt, em sua teoria sobre banalização do mal, eventos ruins que ocorrem com frequência, como é o caso dos crimes cibernéticos, passam a ser normalizados. Assim, a ignorância tecnológica dos cidadãos é refletida no aumento de golpes sofridos ao não utilizar a tecnologia e seus recursos de forma segura,  fazendo com que haja a banalização do crime “on-line”.

Portanto, é preciso que o Estado, juntamente com canais midiáticos, desenvolva propagandas e anúncios informativos - que serão veiculados nas redes sociais e televisão aberta, com verbas governamentais, sendo facilmente acessados pelo público-alvo, as possíveis vítimas de golpes - sobre os perigos da utilização da tecnologia em conexões e redes não confiáveis, a existência de crimes cibernéticos e como evitá-los, visando comunicar aos cidadãos uma forma de proteger seus dados de criminosos e promover uma rede “on-line” em que se sintam seguros, se incluindo e acompanhando a era digital em que vivem, a fim de que não fiquem vulneráveis à ataques. Somente assim haverá a diminuição dos crimes cibernéticos e seus males e a não banalização dos mesmos.