Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 12/11/2021

O documentário “A cidade mais perigosa da internet: onde o cibercrime se esconde”, elaborado pela empresa Norton - especializada em segurança para a internet -, expõe a vulnerabilidade dos usuários da internet. Além do mais, a obra revela as lacunas no mundo onde os criminosos operam fora da lei e, também, como as empresas protegem os dados de seus clientes. Em consonância ao curta-metragem, as autoridades brasileiras enfrentam diariamente as dificuldades para combater os crimes cibernéticos, desse modo, a ausência de agentes de segurança pública capazes de atuar em operações cibernéticas, junto à escassez de investimentos em recursos tecnológicos que auxiliem as investigações, são desafios para o combate de cibercrimes no Brasil.

De acordo com a obra “Crimes cibernéticos: desafios da investigação”, escrita por Sílvio Castro Cerqueira, diretor da Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia da Polícia Civil, é imprescindível que os profissionais da polícia tenham domínio da tecnologia para que haja paridade de conhecimento entre os policiais e os criminosos, sendo assim, para se tornarem hábeis para repreender e coletar provas que incriminem os autores. Logo, é possível afirmar que a carência de investimentos na qualificação de agentes de segurança pública é um dos obstáculos para suprimir os cibercrimes no Brasil, vide que não são páreos aos infratores e, consequentemente, não conseguem comprovar a materialidade e a autoria do crime, sendo inviável a condenação legal do acusado.

Ademais, paralelo à necessidade de habilitar os policiais, a disponibilidade de dispositivos tecnológicos modernos aos agentes especializados em crimes cibernéticos é essencial para enfrentar os criminosos, uma vez que as forças repressoras e investigativas devem evoluir conforme os meios de prática do cibercrime se fortalecem. Segundo Rolando Alexandre de Souza - diretor-geral da Polícia Federal -, há somente uma maneira de combater os crimes com eficiência e profundidade, isto é, para os agentes de segurança pública atuarem com rapidez e competência é necessário o uso de tecnologia e de sistemas de cruzamento de dados. Sendo assim, é perceptível que a obsolescência de equipamentos é um dos desafios para reprimir os crimes cibernéticos no país.

Por fim, com a finalidade de deter os cibercrimes, o Ministério da Justiça e Segurança Pública - órgão responsável pela gestão da Polícia Federal e do combate aos crimes organizados - deve investir na habilitação de um grupo de agentes, para se tornarem especializados em solucionar crimes cibernéticos. Tal ação deve ser realizada por meio de investimentos em cursos e recursos tecnológicos para os policiais. Para que assim, no futuro, a segurança digital possa ser assegurada.