Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 29/08/2022
O documentário “Privacidade Hackeada” exibe o real cenário envolvendo a empresa Cambridge Analytica, a qual coletou dados de milhões de usuários do Facebook sem permissão. Nesse viés, apesar dessa narrativa transmitir um escândalo internacional, sabe-se que crimes cibernéticos no Brasil são frequentes , sobretudo, os de pequenas repercussões. Nesse sentido, nota-se uma imagem de omissão e de desconhecimento digital que apadrinha a sociedade.
Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação da máquina estatal nessa área. De acordo com a lei do Marco Civil da Internet, o direito à privacidade e proteção de dados são garantidos a todos. Em contrapartida, o Estado não efetiva tal princípio, uma vez que crimes e abusos por meio de computadores, redes sociais e, por tabela, dispositivos eletrônicos estão cada vez mais frequentes, disseminando discursos de ódio que causam danos aos indivíduos ou patrimônios. Dessa maneira, é fulcral um olhar mais atento do governo, haja vista que as ações crimonosas ocorrem de forma anônima, o que dificulta a identificação do indivíduo. Logo, mostra-se um Poder Público ineficiente nessas conjunturas.
Por sua vez, outro vetor é o papel tímido do olhar coletivo nessa temática. Na série “Black Mirror”, na qual, em um dos episódios, o protagonista tem suas informações íntimas roubadas e é chantageado para que elas não sejam divulgadas. Fora da ficção, crimes como pornografia infantil, roubo de dados e até mesmo as Fake News, muitas vezes passam impunes por causa do desconhecimento do usuário de como proteger-se, denuniar ou combater essa mazela. Dessa forma, a coletividade deve ser informada a esse respeito com o fito de evitar os danos que essa agrura causa.
Infere-se, portanto, que, nessa problemática, o Estado deve desenvolver um algoritmo seguro, por meio de investimento em pesquisas, capazes de detectar o mau uso dos dispositivos eletrônicos, devendo excluir as contas dos criminosos, a fim de barrar o percurso de todo o caos. Desse modo, para que acontecimentos como o do documentário deixem de ser uma realidade brasileira.