Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 31/08/2024
Em uma reportagem da emissora Globo, o roubo de celular foi equiparado à invação a domicílio. Essa comparação pode ser explicada pelo excesso de informações pessoais disponíveis eletronicamente, oferecendo riscos de crimes cibernéticos contra usuários. Tal problemática pode ser agravada devido a perda da segurança dos aparelhos eletrônicos e pelo compartilhamento indevido das empresas brasileiras sobre os dados individuais de seus clientes.
Em princípio, muitas informações pessoais estão contidas nos celulares, oferecendo risco cibernéticos aos usuários. Isso porque, além do fato de que o furto desses artefatos permite que o ladrão acesse a esses dados, há os golpes cibernéticos. Constantemente, é noticiado em canais televisivos casos de pessoas que sofreram com roubo de dinheiro e uso indevido de sua identidade após, em seu dispositivo, entraram em um “link” desconhecido com cibervírus, que permitiu acesso de crimonosos a suas contas bancárias e documentos individuais. Portanto, a falta de recursos que protejam esses aparelhos é deveras problemática.
Ademais, outro fator de risco é a quantidade de informações coletadas por empresas e compartilhadas indevidamente. Isso foi observado quando, em 2019, houve o escândalo no país envolvendo farmácias que vazavam os documentos de seus clientes para outras companhias, fazendo com que os usuários percam o controle de quem tem acesso a esse conteúdo. Essa ação fez com que as pessoas estivessem mais expostas aos riscos de crimes cibernéticos como abertura de contas bancárias por desconhecidos com seu Cadastro de Pessoa Física (CPF) e com seu número de identidade.
Portanto, as consequências do cibercrime no Brasil se agravam devido à grande quantidade de dados nos dispositivos e ao compartilhamento indevido pelas empresas. Infere-se, então, que o Governo Federal, por meio do Ministério Público, desenvolva uma plataforma que bloqueie e resete os celulares ao inserir dados do aparelho para proteger o cidadão no caso de vírus ou roubo. Quanto ao vazamento pelas companhias privadas, a Polícia Federal deve desenvolver canais públicos de denúncia para melhorar investigações e evitar exposições inadequadas dos usuários. Esse é o caminho ideal para o combate aos crimes cibernéticos.