Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 11/09/2019

De acordo com o pensador Mário Sergio Cortella, a integridade protege a vida, preserva o bem comum e cultiva a justiça. Nesse sentido, encaixa-se o contexto sobre os desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética, devido aos progressos científicos e à falha de um Estado inerte. Dessa maneira, medidas sociopolíticas devem ser debatidas e compreendidas, uma vez que a educação reflexiva e o amparo ao indivíduo são essenciais para contrapor essa problemática.

Nessa circunstância, observa-se que preocupações associadas à moral científica não apenas existem como vêm crescendo a cada dia. Por conta disso, é preciso buscar as causas dessa questão, entre as quais, emerge como a mais recorrente o desenvolvimento tecnológico que ultrapassa os limites éticos em virtude, principalmente, da obtenção de lucros e insensatez humana. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado, a ganância.

Outrossim, é indubitável que a transgressão à Constituição e sua aplicabilidade estejam entre as motivações do problema. Segundo o filósofo Jhon Locke, a política deve ser usada de modo que, por meio de um convênio social, o bem-estar seja alcançado. No entanto, por não haver um órgão público especializado em fiscalizar o desenvolvimento da biotecnologia a favor da vida humana, é perceptível que o aparato estatal rompe com essa harmonia, visto que não assegura a cidadania e o amparo ao indivíduo. Desse modo, percebe-se que a dificuldade em lidar com esse problema e seus efeitos mostra-se fruto de um Estado falho, no qual desconsidera a visão de um regime defensor e a responsabilidade com seus deveres.

Convém, portanto, medidas para reverter tal situação. Dessa maneira, é preciso atuação mútua entre Estado, educação e população. A esfera maior, por meio da sua autonomia, deverá investir na fiscalização do desenvolvimento científico, ao criar leis que limitem a manipulação genética a fim de obter uma tecnologia que respeite as regulamentações e afirme os valores sociais. É imprescindível, também, que a escola promova a formação de cidadãos éticos que respeitem o próximo valorizem o pensamento crítico, por intermédio de palestras e debates em grupo, que envolvam a família, a respeito desse tema, ao visar ampliar a cortesia entre a comunidade escolar e a satisfação social. E a sociedade, por fim, necessita tomar conhecimento dessa problemática mediate as pesquisas autônomas para tornar-se o órgão regulador do meio. Só então, o significado da integridade exposto por Mário Cortella poderá ser compreendida e a conciliação entre ética e biotecnologia estabelecida.