Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 27/08/2019

A partir de 1996, quando o primeiro mamífero foi clonado com sucesso, a biotecnologia e a ética se tornaram praticamente antagônicas. Nesse sentido, o surgimento da ovelha Dolly, geneticamente idêntica à outra, em um laboratório escocês possibilitou -tecnologicamente- a prática de ações não permitidas pelo código moral. Assim, as barreiras impostas à ciência obstacularizam o progresso nesse âmbito, sendo, pois, prejudicial à  sociedade como um todo. Dessa maneira, os desafios para conciliar a biotecnologia e a ética têm como pilares a obsolescência da ética e a interferência da religião nas noções morais.

A priori, o fato da ética não ter acompanhado o avanço cientifico corrobora a desarmonia entre as duas áreas. Nesse viés, a moral seria o conjunto de regras que determina o comportamento dos indivíduos em um grupo social, o que depende, portanto, do que cada população determina como norma. No entanto, esses cânones sociais não contemplam mais a totalidade do que pode ser alcançado pela ciência e, por conseguinte, devem ser modernizados. Tais avanços científicos têm respaldo ético pelo conceito de Aristóteles, o qual defende ser ético tudo aquilo que tem por finalidade a felicidade da população. Sob essa ótica, as novidades afetariam positivamente a maioria dos cidadãos e, assim, seriam aristotélicamente éticas.

Ademais, a fusão entre ética e religião influi decisivamente no desenvolvimento biotecnológico. Tal fato é fundamentado quando a baixa produção cientifica na idade media e* posta em analise. Nesse contexto, na medicina, práticas cirúrgicas e o estudo através de corpos -normais no seculo XXI- estavam fora de questão, já que eram considerados heréticos pela igreja e, portanto, foram proibidos por muito tempo. No entanto, apesar de ter evoluído significativamente, a fê ainda é um fator limitante à ciência, o que impede as descobertas médicas da mesma maneira como anteriormente. Diante disso, por exemplo, está o impasse no uso de células fecundadas para curar inúmeras doenças como o câncer, porém, tal procedimento foi proibido, uma vez que a igreja já a considera uma vida.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para conciliar a biotecnologia e a ética. Para mudar esse quadro, além de renovar os valores morais, cabe ao Governo regulamentar os processos cientificos a serem realizados, por meio de orgaos especificos que supervisionem os centros de pesquisa. Isso pode ocorrer, por exemplo, de maneira imparcial, a fim de não permitir que a religia permaneça retardando o progresso biotecnologico. Com essa medida, que não exclui outras, espera-se que de acordo com aristoteles, que  apenas a felicidade da populaçao seja o parametro para frear a ciencia.