Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 27/08/2019

Em 1996, nasceu a ovelha Dolly, primeiro clone de um mamífero. Mas morreu em 2003 avariada por doenças precoces. Também, no processo de clonagem, 277 embriões foram descartados. Surgiram então inúmeros debates, que continuam hodiernamente, sobre os limites entre a biotecnologia e a ética, uma vez que pouco se sabe sobre as consequências da manipulação de seres vivos.

Em primeiro plano, urge analisar qual é o limite do conhecimento humano acerca da biotecnologia. De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo só deve agir quando estiver consciente do contexto em que está inserido, sabendo quais são suas origens e dependências. Portanto, evidencia-se a necessidade de empresas de biotecnologia se apoiarem na ética, antes de agir, para não ferirem os direitos humanos.

Ainda, nesse sentido, a criação de indivíduos idênticos em escala industrial gera uma objetificação dos seres vivos. Consequentemente, o mercado capitalista transformou isso numa moeda de troca, como no caso de sementes transgênicas e, quiçá, futuramente, animais. Consoante ao pensamento da filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele que é banalizado. Assim, caso não haja um controle bioético, isso pode tornar-se corriqueiro.

Dessarte, faz-se imprescindível a tomada de medidas que revertam o entrave abordado. Posto isso, concerne ao Estado, mediante Ministério da Ciência e Tecnologia, o controle de estudos que envolvam biotecnologia, por meio de uma banca avaliadora de bioética, formada por pessoas dos mais diversos grupos, para que haja um consenso quanto os benefícios e perigos dos avanços da ciência. Desse modo, a biotecnologia e a ética poderão caminhar evitando ferir os direitos humanos.