Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 28/08/2019
Após o século XIX, com a publicação dos trabalhos do biólogo austríaco Gregor Mendel acerca da hereditariedade, muitos avanços foram experimentados pela ciência no campo da genética molecular, o que proporcionou à sociedade inúmeros benefícios na agricultura e medicina. Contudo, ao lado dos benefícios, tais conhecimentos trouxeram também os riscos de violação da ética, seja em processos de manipulamento genético, seja em intensificar o consumo de alimentos potencialmente perigosos à saúde humana visando lucratividade. Sendo assim, cabe avaliar as dificuldades da ciência moderna em conciliar a evolução da biotecnologia e a ética.
Em primeiro lugar, a tecnologia está, muitas vezes, diretamente atrelada à interesses financeiros. Nesse sentido, o consumo de transgênicos - alimentos modificados geneticamente – iniciou-se dos anos de 1970, há menos de 50 anos, tempo claramente insuficiente para se ter noção dos efeitos dos mesmos no organismo humano. Ainda assim, estão nos pratos brasileiros todos os dias. Isso se dá pela grande lucratividade que essas culturas geram a indústria alimentícia, haja vista o seu aproveitamento superior à dos alimentos não modificados. Portanto, confirmamos a incabível falta de ética de uma parcela da comunidade científica e do agronegócio que, para fins lucrativos, comercializam produtos de segurança não suficientemente testada as pessoas.
Além disso, outro fator limitante na conciliação entre desenvolvimento técnico científico e a ética, é a falta de opções metódicas para substituir meios vistos hoje como antiéticos pela sociedade. Esse é o caso do tratamento de diversos tipos de doenças com células-tronco embrionárias, essas são capazes de se transformar em outros tipos celulares e assim, regenerar tecidos, por isso são uma esperança na medicina. Entretanto, as mesmas, são obtidas de fetos nas primeiras semanas de gestação, e ainda que no Brasil o procedimento seja permitido apenas em embriões inviáveis, o método ainda é condenado moralmente pela maioria, o que evidencia a necessidade de incentivos para a busca de novas formas de obtenção de células tronco, que não firam a ética.
Destarte, é mister que medidas sejam aplicadas para conter esse fenômeno. A princípio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária deve intensificar a fiscalização de alimentos transgênicos, através da contratação de profissionais especializados em biotecnologia, que sejam capazes de analisar a segurança desses alimentos para o consumo a longo prazo. Ademais, o Ministério da Educação e da Cultura deve destinar maiores investimentos a pesquisas de maneiras alternativas de extração de células-tronco embrionárias que não envolvam o descarte de embriões. Dessa maneira, a ciência e a ética poderão andar juntas para o bem comum, sem comprometerem a saúde e a moral sociais.