Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 28/08/2019

Consoante Platão, filósofo grego, “o importante não é viver, mas viver bem”. Partindo desse pressuposto, nota-se a inerência à humanidade da busca por bem-estar. Nesse contexto, o desenvolvimento da biotecnologia faz-se, sobretudo, em benefício do modo de vida humano. Assim, vistos os riscos causados pelo seu mau uso, torna-se necessário o estabelecimento de limites para a atuação dessa ciência.

De certo, a violência empreendida pelos portuguese, quando da chegada destes ao Brasil, contra os nativos ameríndios não foi o único agente de extermínio desse povo. As inúmeras doenças trazidas pelos lusos foram também fator de mortandade  indígena. Nesse viés, hodiernamente os esforços das pesquisas biotecnológicas no desenvolvimento de vacinas, soros e remédios são fundamentais para a crescente longevidade dos seres humanos. Por conseguinte, percebe-se a efetividade do uso adequado do saber científico.

Faz-se mister, ainda, salientar o potencial danoso das biociências. O Capitão América, herói das histórias em quadrinhos da Marvel, mediante utilização do “soro do supersoldado”, adquire entre outras características, força e agilidade. De maneira análoga e saindo da ficção, a biotecnologia possibilita o  “melhoramento” de características genéticas de futuros filhos, tais como cor dos olhos, dos cabelos ou da pele. Por consequência, tais ações implicam, além de possíveis danos à saúde, na inferiorização e segregação étnica. Dado o exposto, para conter tais atitudes, nota-se a pertinência do vínculo ente ética, tecnologia e ciência.

Portanto, torna-se evidente a premência de uma tomada de medidas que solucionem o impasse. Desse modo, o Poder Legislativo, para coibir seu emprego indevido, deve criar leis que regulem a atuação da biotecnologia. Destarte, pode-se dar ênfase às pesquisas em prol da sociedade, como o combate às patologias. Ademais, conforme o economista francês Robert Turgot, o princípio da educação é pregar com o exemplo. Logo, o Ministério da Educação deve promover nas escolas, formadoras dos futuros biotecnólogos, feiras que discutam e evidenciem as mazelas do uso indiscriminado do conhecimento científico, a fim de possibilitar um futuro cuja boa vida citada por Platão seja progressivamente mais viável.