Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 29/08/2019
A Revolução Verde possibilitou o aprimoramento de várias atividades voltadas ao agronegócio, principalmente, no ramo da biotecnologia, com a utilização de sementes transgênicas e a evolução de técnicas de manejo do solo. Nesse sentido, até mesmo fora do sistema agrário, é perceptível os avanços da biotecnologia, como é o caso do tratamento de doenças por meio de conhecimentos da engenharia genética. No entanto, com o desenvolvimento da temática, problemas ligados à ética e à moral têm se tornado recorrentes na atualidade devido à fatores religiosos e econômicos.
A princípio, verifica-se como um dos principais desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética, algumas doutrinas tradicionais vinculadas ao catolicismo disseminadas desde o primeiro milênio. Isso porque muitos desses ensinamentos iam de contra diversas práticas da ciência biológica por estar fora dos princípios cristãos de conduta. Exemplo disso, foi a condenação à morte por autoridades religiosas, no início do século XVI, do médico espanhol Miguel de Servet devido aos seus estudos sobre anatomia humana por meio da dissecação de cadáveres. Desse modo, mesmo nos dias atuais, há embates entre os avanços da biotecnologia e os padrões éticos baseados no cristianismo, como é o caso do uso de animais para experimentos científicos. Por conta disso, a conciliação desses fatores dentro da sociedade é prejudicada.
Outrossim, é importante citar os aspectos econômicos como fundamentos para gerar a disparidade entre o crescimento da ciência e o emprego da ética. Isso acontece, pois muitas empresas ao visarem o lucro valem-se da biotecnologia para aumentar sua produtividade, mesmo acarretando prejuízos para a coletividade. Esse fato é perceptível em alguns empreendimentos do agronegócio, em que produtores, ao utilizarem sementes resistentes a determinados pesticidas, conseguem elevar sua produção, mas os produtos são passados ao consumidor com taxas excessivas de agrotóxicos nocivos à saúde. Com isso, embora o filósofo Immanuel Kant ressalte a importância do bem coletivo como princípio para uma ação, os avanços da ciência acabam sendo usados de forma individualista.
Destarte, para que os conhecimentos adquiridos pela ciência biológica possam ser conciliados com a ética, é necessário que o Governo Federal, na figura do poder legislativo, crie propostas que esclareçam os limites da biotecnologia segundo os padrões morais coletivos. Isso pode ser feito por meio da elaboração de leis específicas que delimitem práticas de determinados conhecimento que desfavoreçam o bem comum, como é o caso do uso excessivo de agrotóxicos e os estudos de clonagem humana, a fim de garantir o desenvolvimento científico sem que haja o comprometimento de princípios éticos. Feito isso, será possível colocar em ação os preceitos legitimados por Kant.