Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 26/10/2019
O Projeto Genoma Humano, desenvolvido na década de 1990, foi responsável pelo mapeamento de todo material genético de um ser humano. Com isso, pode-se perceber os avanços da ciência no mundo, baseados em diversas pesquisas genéticas. Entretanto, há uma grande discussão na atualidade a respeito da conciliação entre biotecnologia e a ética. Dessa forma, fica evidente que há uma urgente necessidade de ser estabelecido um limite entre a intervenção terapêutica e o puro desejo de aperfeiçoamento da espécie humana, para evitar o conflito.
Primeiramente, pode-se destacar a técnica CRISPR, que envolve bactérias capazes de realizar defesa contra vírus, por meio do “corte e colagem” de porções do material viral, silenciando-o. Com isso, foi possível a utilização bacteriana para auxiliar a vida humana, por exemplo, existe grande expectativa de essa técnica ser capaz de promover resistência contra o vírus HIV. Porém, questões éticas são levadas à tona quanto a possibilidade de essa técnica criar bebês projetados, em que os pais poderiam selecionar características desejadas ao filho. Isso assemelha-se com o mito da superioridade da “raça ariana”, enaltecido pelo nazismo. Assim, poderia ocorrer a segregação e exclusão social de grupos de indivíduos com características singulares, a exemplo do nanismo e portadores da síndrome de down.
Além disso, a utilização de transgênicos na agricultura permite a seleção artificial de características benéficas para o homem. Em contrapartida, o Brasil ocupa o lugar de país que mais usa agrotóxico no mundo, sendo que houve aumento de 20% da utilização desses produtos em uma década, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Uma vez que sofrem magnificação trófica, acúmulo de sua concentração nos organismos ao longo da cadeia alimentar, a toxicidade dos produtos pode chegar a níveis críticos à saúde. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), nos países em desenvolvimento há o registro de 70 mil intoxicações por ano, causadas por agrotóxicos.
Logo, existe uma linha tênue entre os anseios de cura e o aprimoramento do homem. Assim, a ONU pode, em parceria com os países que são centros dessas pesquisas, realizar acompanhamento da comunidade científica, de modo a garantir que seja possível o desenvolvimento das técnicas benéficas à saúde humana e também assegurar que não ocorra o conflito ético, para que não haja inversão de valores, de modo que alguém seja encaminhado pelo desejo de aperfeiçoamento da espécie, deixando de lado a intenção inicial de terapia gênica. Ademais, o Estado deve controlar a utilização de agrotóxicos, por meio da criação de leis que limitem seu uso, seguida da fiscalização e punição de quem descumpra os limites estabelecidos, a fim de que esses produtos não tragam tantos malefícios à saúde. Somente assim será possível, por fim, estabelecer a conciliação entre ética e biotecnologia.