Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 22/10/2019
A Revolução Verde ocorrida em meados do século XX teve como propósito aumentar a produção agrícola pelo uso de máquinas, fertilização do solo e desenvolvimento de pesquisas em sementes. Essas sementes eram modificadas e desenvolvidas em laboratórios para aumentar a resistência a pragas e doenças, popularizando a partir desse processo a biotecnologia e a transgenia. Todavia, o uso indiscriminado desse tipo de avanço tecnológico, além de antiético perante a sociedade, pode trazer prejuízos para a saúde da população, tornando difícil a conciliação entre a biotecnologia e a ética.
Em primeiro lugar, é de geral visibilidade o fato de que a biotecnologia trouxe diversos benefícios para a área da saúde, como por exemplo a inserção de DNA em bactérias que ativa genes que codificam a insulina para o tratamento de pessoas diabéticas. Entretanto, essa tecnologia ao ser usada sem necessidade pode desencadear um processo de Eugenia. Muitos casais, mesmo não tendo dificuldades para conceber filhos, recorrem à clínicas de fertilização in vitro e selecionam embriões que gerarão crianças de olhos claros, cabelo loiro, pele branca, entre outras características eurocêntricas. Esse fato, mesmo em proporções menores, remete ao ocorrido durante a segunda guerra mundial de 1939 à 1945, quando os alemães do partido nazista, num ato de intolerância, renegaram e até mataram pessoas de outras etnias por quererem somente a raça dita ariana.
Em segundo lugar, também há o problema público de saúde da população. São produzidos alimentos transgênicos através da biotecnologia com a alteração do código genético para maior durabilidade, tamanho e resistência a pragas. Com a inserção de genes para maior resistência a agrotóxicos, por exemplo, as pragas podem também acabar adquirindo essa característica. Como consequência disso, será exigida a aplicação de maiores quantidades de veneno nas plantações, tornando assim os alimentos cada vez mais tóxicos e mais prejudiciais à saúde dos consumidores. Segundo um estudo publicado pela revista “Food and Chemical Toxicology” camundongos alimentados com alimentos transgênicos sofrem de câncer com mais frequência e morrem antes que os demais. Se os efeitos são tão agressivos nos camundongos, nos seres humanos não são tão diferentes.
Desse modo, seria importante que o Ministério da agricultura, com o suporte financeiro do governo, investisse no uso de biocontroladores de pragas nas plantações para que seja reduzido o uso excessivo de agrotóxicos que afetam a saúde da população. Também seria eficiente que as clínicas de fertilização in vitro proporcionassem palestras junto com ONG’s educativas para conscientizar pais a respeito da eugenia e dessa forma reduzir a seleção de embriões. A partir dessas medidas, pode-se esperar uma maior conciliação entre biotecnologia e ética na sociedade moderna.