Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 04/09/2019
Seleção artificial: benefício ou ameaça?
“Tornamo-nos deuses da tecnologia, mas permanecemos macacos na vida”. A frase do historiador Arnold Toynbee deixa nítido o conflito entre progresso científico e estagnação prática da humanidade. À vista disso, percebe-se que a conciliação entre biotecnologia e a ética é um desafio no Brasil. Faz-se necessário, portanto, discutir os fatores que corroboram para a permanência dessa adversidade.
Em primeiro plano, vale destacar as contribuições da biotecnologia para a qualidade de vida dos cidadãos. Assim, a manipulação de células-tronco e o uso de organismos transgênicos possibilitou o tratamento de inúmeras doenças e o aumento da produção de alimentos. Todavia, a manipulação gênica pode ocasionar um desequilíbrio nos ecossistemas devido à diminuição da variabilidade genética entre as espécies.
De outra parte, existe uma discussão ética acerca da clonagem reprodutiva. Nesse contexto, em 1996, nasceu a ovelha Dolly, primeiro animal clonado de forma bem-sucedida. Após isso, diversos outros animais surgiram pelo mesmo procedimento, como camundongos e macacos. Contudo, a utilização desses seres como cobaias representa um risco devido suas consequências à longo prazo, sendo uma delas o transumanismo.
Urge, portanto, que o mau uso da biotecnologia não seja argumento definitivo para sua proibição total. Nesse sentido, o Ministério da Ciência, Tecnologia, inovações e Comunicações deve realizar promoções de bolsas de pesquisa nas universidades federais a fim de traças os meios corretos de utilização da engenharia genética. Essa iniciativa é importante porque permitirá a criação de leis pelo Poder Legislativo que regulem a manipulação genética, prevenindo, assim, sua má utilização.