Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 03/09/2019
No filme “Gattaca” de Andrew Niccol, é retratado um futuro utópico em que os avanços na biotecnologia permitem a completa edição do genoma humano. Assim, o personagem principal, que não possuí seus genes editados, é considerado incapaz para determinadas atividades, sendo o seu objetivo no decorrer do filme, a quebra desse pressuposto. Diante disso, a produção não controlada de transgênicos, aliada à modificação do material genético humano, tornam-se desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética.
O cientista Charles Darwin, em sua obra “A Origem das Espécies”, defende a tese na qual o meio em que a população está inserida, seleciona os indivíduos mais adaptados. Sob essa ótica, os produtos agrícolas transgênicos seriam superiores, pelo fato de possuírem melhor resistência ao meio. Assim sendo, a utilização desses resultaria em elevada produção e menor descarte. Entretanto, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), tais produtos apresentam riscos à agricultura, à saúde e ao meio ambiente.
Outrossim, o uso da tecnologia visando um melhoramento da espécie humana, também é fator para preocupação. De fato, a terapia genética é considerada a melhor opção para tratamento de falhas no gene, adicionando ou retirando segmentos de DNA. Toda via, segundo artigo publicado pela Universidade de São Paulo (USP), não é possível determinar os malefícios relativos a edição, sendo o não uso dessa, a melhor opção.
Sob esse viés, é imprescindível que o Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, promova a fiscalização dos produtores que utilizam da Engenharia Genética, visando o controle da produção e qualidade dos produtos. Ademais, é dever do Ministério da Educação, por meio de verbas destinadas para tal, incentivar pesquisas que esclareçam os riscos da modificação do genoma humano, para que assim, a biotecnologia seja empregada sem ameaça à saúde.