Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 04/09/2019
O filme GATTACA retrata um mundo no qual quase a totalidade das pessoas são geradas artificialmente por manipulação de DNA. Essas pessoas são consideradas válidas enquanto as geradas naturalmente são declaradas como inválidas. O personagem Freeman é um inválido, por isso, marginalizado e proibido de seguir seu sonho de ser astronauta. O filme retrata o imaginário, mas no mundo real já existem problemas de convívio do desenvolvimento biotecnológico com a ética. Com isso, torna-se necessária a discussão dos limites de uso dessas técnicas avançadas.
Em primeira análise, pode-se constatar que, sob tutela de pessoas mal intencionadas, a biotecnologia pode ser maléfica para a humanidade. Nesse ínterim, o médico nazista Mengele, à época da segunda guerra mundial, fazia experimentos cruéis com gêmeos: injetava corantes nos olhos, inoculava vírus para estudar a reação, forçava o sexo entre irmã e irmão e retirava órgãos enquanto vivos. Essas e outras atrocidades eram realizadas para tentar reproduzir uma casta pura e melhorada de humanos. O objetivo da biotecnologia para esses meios, mesmo que maquiada, deve ser proibida.
Por outro lado, a sociedade pode se beneficiar com os avanços biotecnológicos. Também na segunda guerra mundial, foi descoberta a penicilina pelo cientista Alexander Fleming, salvando a vida de milhões de pessoas. No mesmo sentido, com o avanço científico, a manipulação genética pode curar definitivamente pessoas com doenças hereditárias, como anemia falciforme e da doença de Huntington.
Portanto, é indispensável que haja discussões em âmbito internacional. Para isso, a OMS deve realizar, por meio de uma câmara temática com especialistas de saúde e de direitos humanos, uma norma a ser seguida por todos os países limitando experiências e procedimentos genéticos que extrapolem a ética e a moral. No filme, Freeman foi melhor que todos os ditos válidos e realizou seu sonho de ir pra lua. Fora da ficção, o homem não se renderá às tentações do falso aprimoramento genético.