Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 04/09/2019
A série Handmaid’s Tale nos aludi uma projeção distópica de uma sociedade futurística e profundamente conservadora, onde uma aparente doença causou a infertilidade da maioria das mulheres. A tendência de pensamento sobre uma futura civilização apta a lidar com a maioria das enfermidades, graças as evoluções tecno-científicas, neste caso, se fez frustrada. Assim com na ficção, o conservadorismo é possívelmente o responsável por ainda não termos descoberto novas curas. Ao mesmo tempo, é responsável por impedir que a ciência se desenvolva sem uma “oposição” humanista.
Quando se fala em conservadorismo, lembra-se imediatamente dos setores mais religiosos da sociedade. O segmento mais extremo e radical destes, foi responsável, no passado, por condenar à morte ou mesmo à eterna prisão, expoentes científicos cuja contribuição moldou o mundo desenvolvido como hoje se conhece. Nomes como Galileu Galilei e Charles Darwin foram impedidos de contribuir mais para a ciência por conta de um discurso infundamentado e autoritário sobre o que era certo e errado na época. Contudo, o que se vê hoje não é muito diferente. Muitas pesquisas com células tronco e embriões, com o potêncial de curar diversas doenças, por exemplo, se veêm estagnadas em vários países, por grupos tradicionalistas , que ocupam uma boa camada política tomadora de decisões.
Entretanto, há de se destacar que pelo fato de muitas pesquisas biotecnológicas serem financiadas por iniciaticas privadas, se espera que fatores econômicos envolvendo as mesmas têm potêncial de sobressair os princípios éticos caso não exista resistência dos setores populares e políticos contrários à estas. É graças à esta “rivalidade” que uma preocupação generalizada em relação ao que é desenvolvido em laboratórios e suas consequências para a vida humana tem ganhado espaço de discussão e reflexão informal e até mesmo na grande mídia. Orgãos públicos como a Anvisa são pressionadas a mostrar estudos dos impactos à saúde de transgênicos, herbicidas, vacinas entre outros. Bem como filósofos participam de entrevistas sobre os limites da manipulação genética.
Nesse sentido, o debate científico-filosófico com a participação da sociedade e governos deve ser ampliado, pois ideologias retrógradas não são suficientes para tratar de assustos complexos, mutáveis e localmente específicos como a ética. Desta forma, tecnologias serão desenvolvidas em prol dos humanos e nunca beneficiando um pequeno grupo de indivíduos e corporações. Para tal é necessário manter cursos de ciências humanas nas escolas e permitir que a sociedade participe de plebiscitos sempre que surgir uma pesquisa polêmica; ao STF cabe o julgamento da constitucionalidade de determinados projetos de lei que signifiquem atrasos à modernização científica e humana. Medidas assim, garantirão, no futuro, uma sociedade futurística em todos os sentidos: tecnológica e social.