Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 05/09/2019
O juramento de Hipócrates, série de promessas feitas solenemente na formatura de medicina, abrange a forma ética e científica pautada no ato de exercer a profissão. Entretanto, o decorrer das décadas fez nascer o termo bioética, mesclando desenvolvimento, reações sociais e consequências para a vida na terra. Esse panorama auxilia na análise que, tentar facilitar os passos da humanidade pode acarretar impactos no âmbito natural da vida e em todos os aspectos dos valores éticos sociais.
Deve-se pontuar, de início, que segundo Montesquieu, a liberdade está associada ao direito de fazer tudo o que as leis permitem. Logo, partindo dessa premissa, a biotecnologia e a ética vão além das constituições vigentes, razão pela qual inserem no homem o pensamento do “certo e do errado”, de forma que, ao ultrapassar regras de bem estar da humanidade, torna-se necessária a intervenção do Estado e da comunidade científica. Assim, por exemplo, em 2018 o cientista Chinês He Jiankui foi condenado por cientistas de todo o mundo ao editar genes humanos, ainda na forma embrionária, trazendo ao mundo gêmeas imunes ao vírus HIV, posto que, tal ato pode causar uma desordem no DNA humano como um todo.
Vale ressaltar ainda, as benevolências geradas pela biotecnologia, dentre elas os mosquitos transgênicos capazes de erradicar diversas epidemias do planeta. Sob essa ótica, a ciência atua modificando machos de algumas espécies transmissoras de patologias, como por exemplo: a dengue, de modo que, o genoma editado é inserido no macho e passado por gerações que não serão mais capazes de se reproduzirem. Entretanto, o bem causado à população ao retirar o agente transmissor de circulação, pode acarretar um desequilíbrio ecológico, o que levanta novamente a pauta da bioética.
É evidente portanto, a importância e o receio social que as novas descobertas trouxeram ao século atual. Diante disso, cabe ao Poder Executivo prover recursos para o desenvolvimento de pesquisas nas universidades por meio de tributos pagos pelo cidadão e parcerias público- privadas, visando manter o avanço da ciência e novas descobertas para melhorias no planeta. Assim como, é imprescindível que órgãos éticos e mundias, como a ONU, fiscalizem tais aplicações das biotecnologias. Dessa forma, o juramento cientifico e filosófico de Hipócrates estará agindo com coerência para o crescimento e melhoria da qualidade de vida.