Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 08/09/2019

É recorrente a inquietação causada pelos avanços tecnológicos, tanto pelos benefícios quanto pelos problemas que trazem. A biotecnologia, no entanto, tem amplo espectro. Se por um lado cria expectativas de panaceia, por outro suscita questões de naturezas diversas, sobretudo éticas e existenciais, sem precedentes.

A espécie humana diferencia se das demais pela sua capacidade de subjugar a natureza em seu benefício. A biotecnologia, ao desvendar em minúcias os mecanismos da vida, através da engenharia genética torna possível a manipulação de seres para os mais variados fins. A trans genia e a clonagem já são técnicas dominadas que abrem novos horizontes aos  mais variados campos de atuação. Vislumbra-se, por exemplo, novas terapêuticas e o aumento de produtividade no campo.

Existe, no entanto, um descompasso evolutivo que caracteriza o Homo sapiens, a ponto de no momento atual existir um abismo entre o seu desenvolvimento tecnológico e o espiritual. Nesse contexto a biotecnologia, sob risco de utilização para fins inescrupulosos, deve ser considerada como um ponto de inflexão para entrada da humanidade em uma nova era em que outros valores, também exclusivos da espécie, tais como ética, dignidade, respeito e alteridade sejam intensivamente desenvolvidos e disseminados.

Sendo assim, não é exagero afirmar que. tendo a humanidade conquistado poderosas ferramentas de auto destruição ou de maravilhas, é posta diante da escolha. Cabe portanto aos organismos internacionais a promoção de  debates sobre, nada menos que, o futuro da humanidade. Para isso deve convocar notáveis especialistas em ciências humanas de todo o mundo para a elaboração de um código de ética universal para os novos tempos, além do desenvolvimento de estratégias para a elevação da consciência humana. Enquanto isso, as experiências com trans genia devem ficar restritas a ambientes controlados (longe do mercado).