Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 09/09/2019
A série Love, Death & Robots, da plataforma de filmes Netflix, apresentou em seu episódio “A Vantagem de Sonnie”, a relação entre humanos e monstros. Nesse sentido, o episódio retratou a biotecnologia envolvida no controle da mente desses monstros em ringues de luta. Todavia, o tema biotecnologia não está restrito apenas a filmes e séries, visto que é um assunto que cresce de forma significativa no mundo real. Diante desse crescente aumento, surgiu um embate entre esta biotecnologia e a ética. Sendo assim, os desafios para conciliar esses temas se apresentam na padronização da fertilização in vitro, na naturalização dos transgênicos e na utilização de células tronco.
Neste contexto, sabe-se que o desafio para o combate do uso exacerbado dessa biotecnologia relacionada a reprodução é um assunto emblemático, já que de acordo com o site O Globo, aumentou em 30% os casos de escolhas de genes específicos para os filhos em fertilização assistida, como olhos azuis, cor de pele branca e cabelos claros. Esse panorama favorece uma grande exclusão da diversidade no país, uma vez que padroniza aspectos físicos considerados como “aceitos” pela sociedade. Tal fato foi retratado pela médica Thais Matos, que expôs que o alto índice dessa prática é extremamente preocupante, pois elimina a variabilidade genética que está presente na reprodução.
Ademais, é indubitável que a questão da naturalização das plantas transgênicas favorece esse embate entre a ética e a biotecnologia, visto que segundo o jornal Exame, tal prática já foi acusada de aumentar em 36% a chance de surgimento de câncer. Outrossim, segundo a Conferência do Meio Ambiente realizada no Rio de Janeiro, o percentual de transgênicos não poderiam passar de 10% do mercado nacional, entretanto hoje já passam de 60%, de acordo com Conselho de Informação de Biotecnologia. Esse panorama, portanto, demostra a produção desenfreada de modificações genéticas presente hoje.
Além disso, é notório o confronto entre pesquisadores e uma parcela da população quanto ao uso da células tronco, já que sua remoção é feita por meio da produção de embriões humanos in vitro, ou seja, situação condenada por muitos. Paralelo a essa questão, o sociólogo Emile Durkheim, retratava esses dilemas do mundo moderno, em que contrapunha os benefícios da modernidade contra a ética.
Infere-se, portanto, que o Governo Federal, por meio do Poder Legislativo, forneça leis que aumentem a fiscalização relacionada a empresas de biotecnologia, com o intuito de inspecionar seus métodos de produção, seja plantas transgênicas, seja de fertilização in vitro.Isso pode ser feito por visitas físicas as empresas e relatórios mensais sobre o andamento das pesquisas.Tais medidas teriam como resultado um maior controle sobre esses processos genéticos, com o intuito de fornecer um esclarecimento para a população sobre os processos biotecnológicos e, desta forma conciliar a ética com a biotecnologia.