Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 10/09/2019
No livro: Admirável Mundo Novo, o escritor Aldous Huxley apresenta uma distopia, na qual a sociedade era dividida em castas. Nesse caso, aquelas em que os indivíduos apresentavam melhoramentos genéticos eram consideradas superiores às demais. Apesar de ficção - a biotecnologia está presente em nossa realidade, fato que, muitas vezes, se defronta com os dilemas éticos vigentes. Cabe, então, analisar os aspectos positivos e negativos desses avanços, a fim de conciliar essa dicotomia.
Antes de tudo, é possível ressaltar os benefícios que a biotecnologia trouxe à humanidade. Nesse aspecto, a produção agrícola - antes subordinada à dinâmica climática e ambiental de cada região - agora, por meio do melhoramento de sementes, se dá de forma mais ampla e intensa. Ademais, o avanço da medicina, em diversos casos, está atrelado ao uso de seres vivos; como foi o caso da Penicilina, medicamento descoberto mediante a análise de fungos em laboratório. Em suma, pode-se dizer que esses progressos trouxeram melhoria na qualidade de vida humana.
Não obstante, deve-se, também, levar em consideração os impactos negativos que essas tecnologias podem trazer. Nesse sentido, seguindo a teoria da evolução de Darwin, é conclusivo que a pressão ambiental seleciona os indivíduos em um território. Dessa forma, o melhoramento genético e a clonagem, em um aspecto geral, podem resultar nesse fenômeno, tendo como consequência um desequilíbrio ambiental. É justamente essa problemática que tange a ética, pois se leva à discussão qual é o nível que o ser humano pode interferir nos ciclos naturais.
Fica claro, portanto, que a biotecnologia e os valores éticos da sociedade se encontram, muitas vezes, em antagonismo. Assim, para conciliar esse cenário, é mister que o Governo, em parceria com órgãos do terceiro setor, invista na fiscalização devida de ambientes de pesquisa nesses ramos. Dessa maneira, por meio de análises com especialistas nos diversos locais de aplicação, será possível qualificar se os estudos feitos não extrapolam os limites denotados pela ética vigente.