Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 06/10/2019
Ao final do século XX, a produção tecnológica iniciada no início do século ascendeu-se para a área biológica, mais especificamente para métodos de compreensão e alteração do material genético constituinte nos seres vivos. A maior compreensão do DNA e de suas bases orgânicas possibilitaram nos dias atuais grandes avanços no campo cientifico, sobretudo nas áreas da saúde e da produção de alimentos. Porém, é necessário que se avalie em paralelo com seus benefícios, os riscos de se alterar características hereditárias, especialmente em produtos consumidos pela população.
Em tese, a produção de alimentos modificados geneticamente, contribuiria para grandes avanços no combate a fome e desnutrição mundial. Uma vez que reconhecida a segurança no consumo desses alimentos, a produção de sementes geneticamente modificadas seria um auxilio tanto no combate a fome em países e regiões pobres, como por exemplo na africa central onde são baixas as condições de produtividade ou em determinados países do sul asiático onde é presente a má distribuição de comida, quanto na defasagem de nutrientes apresentada no cardápio alimentício de diversos povos e nações. Entretanto, técnicas de engenharia genética ainda são demasiado recentes no âmbito científico e sua utilização em produtos de consumo populacional é questionada por grande parte da comunidade.
Levando-se em consideração o fato de que o corpo humano é um sistema complexo e que suas funções atuam sob condições altamente específicas, a ingestão de alimentos geneticamente modificados contendo proteínas artificiais poderia acarretar em diversos malefícios a saúde do indivíduo. Como por exemplo alergias, desequilíbrio de reações importantes na digestão e até mesmo funções celulares fundamentais. Os possíveis malefícios, podem ser refletidos também nos sistemas ecológicos. À exemplo, a presença de produtores primários geneticamente modificados poderia acarretar na proliferação de super larvas (organismos que geneticamente desenvolveram resistência as novas proteínas inibidoras de pragas presentes em plantas transgênicas ), promovendo assim uma alteração nas cadeias alimentares e na transferência de matéria de determinado nicho ecológico, fato que colocaria em risco diversos outros organismos e espécies.
Nota-se portanto, que a biotecnologia como é apresentada atualmente ainda se mostra incerta e imatura com relação ao seus potenciais benefícios. Sua inserção, principalmente no sistema alimentício vai contra as politicas de proteção a consumidores e cidadãos uma vez que coloca em risco a saúde da destes mesmos. Dessa forma, cabe ao governo, fiscalizador dos produtos de comércio, a forte inspeção sobre tais produtos, é necessário avaliar propriedades físicas, químicas e composição geral a fim de validar produtos transgênicos como semelhantes a produtos naturais. E portanto seguros para consumo.