Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 14/09/2019

Os avanços tecnológicos do século XXI trouxeram como principal embate a problemática conciliação entre ética e biotecnologia. Segundo Aristóteles na sua obra “Ética e Nicômaco”, todas as coisas devem possuir como fim primordial o intuito de se alcançar o bem. Contudo, o uso da ciência para proporcionar o bem-estar humano gera controvérsias, uma vez que a fé das pessoas possui um pensamento contrário à ciência e seu uso de forma irracional pode ferir alguns direitos inerentes ao homem.

A ética consiste no conjunto de valores morais de uma sociedade ou indivíduo. Partindo desse pressuposto e de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a qual afirma que quase 90% da população é cristã, pode-se inferir que a crença dessas pessoas é ferida com as práticas biotecnológicas. Assim, as realizações mais comuns da ciência nesse ramo, como escolha de características em bebês ou clonagem são mais difundidas e já criaram barreiras na população e o pensamento comum de que as pessoas querem ser Deus. Dessa maneira, os progressos majoritariamente benéficos são tidos como impróprios, o que prejudica até mesmo a aplicação destes para melhorar fatores como saúde e economia da sociedade.

Sob outro viés, além de todo o desenvolvimento que ela pode trazer, é importante ressaltar que seu uso deve ser atrelado à normas de Direito Humanos. Nesse cenário, em um episódio da série Black Mirror, uma empresa implanta chips na cabeça dos filhos para controlar todas as informações que chegam até eles, tornando o indivíduo produto da escolha de terceiros e interferindo em sua formação. Paralelamente, a liberdade humana também é colocada em jogo se as tecnologias científicas forem pautadas em medidas sem leis e parâmetros, assim, é quando a ética, de maneira ampla, faz a diferença, ou seja, colocada como um limite para os momentos em que o desenvolvimento não possuir fins que visem o bem-estar populacional, como afirmou Aristóteles.

Portanto, o Ministério da Saúde em parceria com Organizações Não Governamentais, por meio de palestras comunitárias devem mostrar à sociedade como a biotecnologia pode salvar a vida das pessoas quando bem aplicada, desmitificando os ideais errôneos enraizados. E em paralelo, a criação de leis as quais coloquem limites nos avanços científicos que prejudiquem a liberdade, o direito à infância e ao desenvolvimento normal do cidadão. Logo, a humanidade poderá usufruir de maneira harmônica do progresso em parceria com a ética.