Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 28/09/2019

Durante a Segunda Guerra Mundial judeus, homossexuais, negros e outras minorias eram levadas a campos de concentrações, onde eram submetidos a inúmeros testes realizados pelos médicos nazistas, entre eles o “Anjo da Morte” Joseph Mengele, tais atos eram realizados em busca de um maior desenvolvimento científico, entretanto, o custo humano fora assustador. Após o fim da guerra e do período nazista, a preocupação e o conceito de bioética foram ainda mais reforçados. Atualmente, é inegável que o avanço da biotecnologia gerou inúmeros benefícios à saúde e ao desenvolvimento produtivo da sociedade, todavia, trouxe suas consequências adversas, danos à saúde e o questionamento de até onde a ciência pode influenciar no processo natural da vida.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a biotecnologia foi imprescindível para a conquista da melhora da expectativa e da qualidade de vida desde o início do século XX. Haja vista que, descobertas como a Penicilina, realizada por Albert Fleming no início do século XX e a utilização de vacinas que erradicaram inúmeras doenças, que costumavam ser letais, foram de grande importância para a melhoria da saúde global. Ademais, o uso de plantas geneticamente modificadas, os transgênicos, criados durante a Revolução Verde, permitiu que a produção agrícola se tornasse muito mais eficiente, e, consequentemente, os lucros tornaram-se mais expressivos.

Paradoxalmente, o desenvolvimento da biotecnologia possui um lado obscuro que gera malefícios à saúde e vão contra os princípios da bioética. Os transgênicos, por exemplo, apesar de gerarem melhoras na produção, são alvos de estudos que comprovam seus danos à saúde. A revista francesa Food and Chemical Toxicology publicou um artigo alegando que esse alimentos triplicaram os casos de câncer em ratos, tal comprovação gera dúvidas e medo sobre seu efeito nos humanos. Caso esses dados sejam comprovados, o Brasil será um dos países mais afetados por tal problema pois, de acordo com a agência Céleres, os transgênicos estão em 93,4% das plantações de milho, soja e algodão do país. Desse modo, essa eficiência na produtividade é pautada em uma ameaça à saúde pública.

Portanto, para garantir o desenvolvimento biotecnológico sem por em risco a saúde da população é necessário que algumas medidas sejam tomadas. Cabe ao Ministério da Saúde, juntamente ao da Ciência, garantirem a qualidade das produções brasileiras, por meio do financiamento de pesquisas sobre o uso dos transgênicos e seus efeitos à saúde, e ainda, agir de modo coerente com os resultados desses estudos, proibindo a utilização das substâncias que são maléficas para a população. Assim é possível utilizar a ciência de modo a respeitar os princípios da bioética.