Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 17/09/2019

Após a Segunda Guerra Mundial e o advento da Guerra Fria, os investimentos em medicina e tecnologia aumentaram com o intuito de obter descobertas para a melhoria de cada país. Por conseguinte, com o tempo, a ciência alcançou conhecimentos extraordinários sobre a saúde e o funcionamento humano, como a genética, gerando debates atuais que vão além do científico, sobre a possibilidade de manipulação genética dos seres humanos. Diante disso, faz-se necessário analisar a ética diante desses atos e os perigos para as futuras gerações.

Primeiramente, os casos de mudanças genéticas em embriões conhecidos atualmente, foram efetuados visando evitar futuras doenças que poderiam ocorrer, contudo, o debate ético torna-se necessário em todos os casos. Na filosofia, a ética serve para analisar a moral e adaptá-la a época vigente. Portanto, no caso citado, o poder de manipulação está nas mãos de um cientista, que possui seus ideais, convicções e preconceitos, além de seguir ordens de um superior ou do presidente de seu país, o que pode gerar consequências absurdas, como a eugenia, na qual há a escolha de qual raça deve existir e sobreviver. É certo que tal ato é útil para salvar vidas, mas pode ser usado para outros fins.

Outrossim, a pesquisa está em início, o que não fornece resultados concretos sobre as consequências, e se der certo, as próximas gerações podem estar em perigo. Na distopia de Aldous Huxley, ‘‘Admirável Mundo Novo’’, os seres humanos são produzidos em laboratórios possuindo caracteristicas abrangentes a uma das cinco castas existentes na sociedade, obedecendo a um sistema. Analogamente, isso pode ocorrer com as futuras gerações, já que as modificações poderão não só evitar doenças, como produzir humanos aptos a atender as necessidades do Estado.

Em síntese, para evitar consequências absurdas deve haver mudanças. Logo, cabe as Universidades que abrigam pesquisas científicas, incentivar os debates éticos diante do tema, com aulas de Bioética, História e Direito, com o intuito de alertar sobre os perigos e estabelecer os limites da exploração científica, para que não tenha exageros e a perpetuação de ideais radicais e problemáticos. Com isso, a ciência fornecerá apenas melhorias benéficas a população.