Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 26/09/2019
As guerras mundiais ocorridas no século XIX, apesar de resultar em danos irreversíveis para a vida de milhões de pessoas, financiaram grandes avanços para a humanidade, como o desenvolvimento de antibióticos e o avanço da tecnologia aplicada à biologia, como armas químicas. Entretanto, nos dias atuais, a conciliação entre biotecnologia e ética surge como um impasse e divide opiniões. Diante disso, é crucial analisar não só a interferência no curso natural da evolução de animais e plantas, como também os perigos que pode trazer para a vida humana, a fim de superar esse dilema.
Em um primeiro momento, é válido trazer da teoria evolucionista de Charles Darwin a existência de uma seleção natural, na qual o meio seleciona os mais aptos à sobrevivência em certo ambiente. Assim, a manipulação de genes via biotecnologia burlaria essa seletividade, tornando mais ou menos aptos diversas espécies e alterando o curso natural de diversas populações.
De forma complementar, o número de alimentos geneticamente modificados a partir de outra espécie só cresce, em especial a produção de soja transgênica, que representa 90% da produção total no Brasil. Porém, apesar da incerteza existente de danos que esses alimentos podem trazer à saúde humana a médio ou longo prazo, devido principalmente aos benefícios econômicos, a produção e o consumo desses produtos continuam altas.
Ademais, em decorrência do sucesso do primeiro clone de um mamífero, a ovelha Dolly, estudos sobre clonagem vêm sendo aprimorados, o que evidencia um possível início de práticas com seres humanos. Contudo, surge um desafio moral e ético de inviável superação, levando em conta as divergentes culturas e legislações presentes em cada país que queira empregar o uso dessa forma de biotecnologia.
É necessário, portanto, promover ações às quais superem esse quadro. Logo, cabe aos Estados, juntamente aos seus respectivos órgãos científicos e acadêmicos, incentivar estudos sobre os efeitos de transgênicos para o ser humano, por meio de financiamento de pesquisas, a fim de promover a transparência sobre os verdadeiros efeitos desse consumo pela população. Assim, espera-se uma resolução do conflito de opiniões acerca desse tema e um melhor aproveitamento saudável da biotecnologia.