Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 03/10/2019
Durante a colonização da América houve um intenso surto de Varíola entre as populações nativas, patógeno antes inexistente, e agora trazido pelos colonizadores portugueses. Após diversas descobertas, entre elas a vacina tríplice viral, a varíola está no passado da humanidade. Neste sentido que o avanço da ciência não deve ser barrado por questões morais, cabe unicamente à ética questionar os experimentos. Assim, delimitar o que é ética de fato, bem como analisar as questões extremas contra os direitos humanos, é essencial.
A ciência é um ramo que testa suas teorias em um método científico, para formar conhecimento; em contraponto ao senso comum, que utiliza apenas a observação empírica, assim, é necessário evitar as questões morais, surgidas pela repetição de costumes antigos, e analisar criticamente, por meio da ética de fato. A religião, por exemplo, possuí conceitos morais, e não éticos necessariamente. A ética é prioritária pois ela sim é universal, diferente da moral. Montaigne escreveu valiosos ensaios, e em um deles apontou que ser cristão é como ser alemão, ou seja, vem de berço, uma vez que o homem herda costumes morais da família.
Outrossim, é essencial evitar que os direitos humanos sejam feridos pelos estudos científicos. Em Auschwitz, médicos nazistas realizaram diversos experimentos em judeus, como transplantes entre gêmeos, propondo diversos conhecimentos novos. No entanto, ao ferir profundamente os direitos humanos, esse conhecimento tornou-se justamente deplorável. Atualmente animais são utilizados em larga escala para experimentos científicos, ferindo princípios éticos. Já dizia o próprio Montaigne, “Digo que brinco com minha gata, mas o que prova que ela que não brinca comigo?”, colocando em questionamento o antropocentrismo, e questionando a possibilidade dos animais possuírem cultura.
É necessário, portanto, criar medidas que impeçam a ciência de burlar os princípios éticos, e que ao mesmo tempo desmistifiquem os princípios morais tradicionais desprovidos de encadeamento lógico de ideias. Cabe à Organização das Nações Unidas, em assembleia global, fortalecer a importância da ciência, por meio da intensificação das palestras em países onde a tradição moral ainda é muito forte, e ignora os avanços científicos. É interessante que no caso do Brasil, por exemplo, o Ministério da Educação, auxiliado pelo Tribunal de Contas da União, traga grandes pensadores do ramo para delimitarem a diferença entre bioética e moral, de forma a tornar mais claro a importância da ciência.