Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 16/10/2019

“A tecnologia está no centro da filosofia contemporânea”. A priori, essa foi uma afirmação do cientista político Bernardo Sorj, em um debate sobre “biotecnologia e ética”. Diante disso, sabe-se que essa temática realmente está muito presente nas discussões atuais, principalmente a respeito dos avanços nas técnicas de manipulação genética. Porém, entende-se que há grandes desafios para a conciliação desses conceitos, sobretudo por conta dos interesses financeiros, e ainda a questão da busca da perfeição humana.

Primeiramente, segundo Karl Marx - a ética e a moral sempre estiveram sujeitas aos interesses econômicos das classes dominantes - um exemplo disso, é a abolição da escravidão negra na Europa, que teve como principal objetivo ampliação do mercado consumidor. Dessa forma, ao fazer um recorte para a questão da biotecnologia, entende-se que há também muitas motivações financeiras por trás das pesquisas, principalmente, no agronegócio. Pois, mesmo com o conhecimento de que a manipulação genética de plantas e uso excessivo de agrotóxicos prejudica a população, poucas medidas restritivas são adotadas, uma vez que o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, e depende economicamente dessas práticas.

Além disso, outra questão de grande peso é a manipulação genética humana e a busca da perfeição estética. Diante disso, o filósofo americano Francis Fukuyama alertou para o perigo da prática de - design babies (bebês de prancheta, em português) - ou seja, país que não necessitam de inseminação in vitro realizam o procedimento para poder escolher as características dos filhos, como cor dos olhos, cabelos. No entanto, essa prática pode ser perigosa, uma vez que pouco se sabe sobre a bioquímica humana e os efeitos dessas modificações a longo prazo, pois segundo artigo da Universidade de São Paulo (USP) - sabe-se a função de apenas 50% dos genes humanos descoberto atualmente.

É necessário, portanto, que o Estado tome medidas para uma melhor conciliação entre biotecnologia e a ética. Então, cabe ao Legislativo criar leis as quais tenham em vista o interesse no bem-estar da população, como a proibição de produtos altamente nocivos, e ainda é dever do Governo financiar pesquisas na Universidades, isentas de interesses econômicos, que busque os efeitos a longo prazo dos transgênicos na população.  Além disso, cabe também ao Legisladores fazerem leis que protejam o desenvolvimento natural da vida, de forma a, proibir a manipulação genética humana para fins estéticos  e/ou financeiros, com intuito de evitar as consequências sociais e na saúde das pessoas.