Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 31/10/2019

A Dualidade Imutável

A Biotecnologia sempre proporcionou avanços à humanidade, pois ela permitiu a criação de vacinas, medicamentos, processos como o de fertilização in vitro, a clonagem e a utilização de transgênicos - que culminou na alta resistência dos alimentos. No entanto, desde o seu surgimento, questionou-se a hipótese dessa ação ser realmente ética e benéfica não só à humanidade, mas também à fauna e flora. Nesse sentido, percebe-se uma dualidade imutável, a qual permeiam aspectos positivos e negativos simultaneamente, encontrando-se, então, desafios para conciliá-la à ética.

Em primeiro plano, é possível observar essa dubiedade em um dos casos mais controversos da Biotecnologia, que é a clonagem da ovelha Dolly. Logo quando foi noticiado esse marco científico, destacaram apenas o quanto ele era revolucionário e benéfico  à época, todavia ocultaram os problemas que o permeavam, porque embora a clonagem foi bem sucedida, trouxe consequências maléficas à saúde de Dolly, pois ela era jovem e seus genes foram oriundos de uma ovelha adulta, causando inúmeras doenças e envelhecimento precoce. Visto o sofrimento do animal diante tamanhas adversidades, optou-se por seu sacrifício. Tal experiência foi um marco histórico para o estudo da genética, conforme é documentado no livro ‘‘História da Ciência’’, porém esse avanço findou no sofrimento de um animal, assim como ocorre em testes de vacinas e medicamentos que não são bem sucedidos - embora esses procedimentos sejam benéficos aos humanos, são prejudiciais à fauna.

Em segundo plano, outro empecilho para a conciliação da Biotecnologia e a ética é a real intenção dos cientistas em relação ao seu uso. No mesmo âmbito, o projeto biotecnológico ‘‘Crispr/Cas9’’ visa a edição genética através da modificação  da sequência de DNA, ou seja, um mecanismo bastante avançado e necessário se for utilizado de modo positivo, pois ele permite a cessão de diversas doenças incapacitantes presentes nos genes dos indivíduos antes do nascimento. Contudo, com essa pesquisa, possibilita-se a edição de características normais, como a cor dos olhos, da pele e textura de cabelo e, com sua má utilização, a criação de um conjunto de características consideras superiores, assim como Adolf Hitler acreditou na superioridade ariana durante o nazismo.

Infere-se, portanto, que é premente a iniciativa do Ministério da Ciência (MCTIC), junto ao  Governo Federal e Ministério da Educação a criação de campanhas e debates - que ocorrerão em conferências científicas, nas escolas e universidades, para abordar a Biotecnologia e ética, destacando a utilização positiva e branda, visando o mínimo de perdas possíveis. Isso deve ocorrer para que seja possível um avanço mais ético e seguro da Biotecnologia, para cercear a dualidade que a abrange.