Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 08/10/2019
Na música “De volta para o futuro”, o poeta e compositor Fábio Braza ressalta que ‘‘Perdemos a essência daquilo que nos faz humanos". Apesar da canção retratar um sonho, é possível que os avanços descontrolados da biotecnologia leve a sociedade para um futuro sombrio. Portanto, é preciso estabelecer uma conciliação entre a biotecnologia e a ética.
Vale ressaltar que um dos desafios para estabelecer tal conciliação consiste em analisar até que ponto os benefícios do uso da biotecnologia compensam os seus efeitos colaterais. Nesse contexto está os alimentos transgênicos que, teoricamente, contribuem para a diminuição da fome no mundo ao mesmo tempo que causa um desequilíbrio ecológico gigantesco. Enquanto de um lado há empresas multinacionais poderosas que defendem os alimentos transgênicos e patrocinam pesquisas para corroborar sua opinião, do outro lado há os ambientalistas - com menor força - expondo os prejuízos causados ao meio ambiente. Portanto, é possível perceber a dificuldade de estabelecer uma conciliação quando interesses econômicos estão em jogo.
Além disso, cabe destacar as diferenças culturais existentes em cada região e sua capacidade de relativizar o conceito de ética. Na Índia, por exemplo, a vaca é um animal sagrado e, portanto, é provável que os cientistas indianos jamais aceitem modificar o DNA desse animal. Enquanto isso, no Brasil, a maioria dos cientistas não teriam problema algum nesse sentido.
Destarte, algo precisa ser feito para contornar essa problemática. É necessário que a ONU, através de uma reunião com os maiores países do mundo, crie um conselho de ética na Ciência. Tal conselho deve ser responsável por mediar discussões, como a dos alimentos transgênicos, com o intuito de garantir que a sociedade tenha acesso a todos os lados da questão de maneira equilibrada, sem permitir que o poder financeiro interfira na opinião do povo. Além disso, o conselho deve estabelecer regras internacionais para a manipulação genética, respeitando a diversidade cultural de todos. Dessa maneira, podemos esperar um futuro melhor do que o imaginado por Fábio Brazza.