Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 09/10/2019

É indubitável que a engenharia genética aufere forças nas necessidades do homem em obter mecanismos mais rápidos e seguros para uma vida equilibrada. Sob essa perspectiva, a produção de insulina humana por meio de bactérias modificadas geneticamente excluiu a complicação que alguns indivíduos deficientes na produção desse hormônio portavam quando recebiam a insulina produzidas por porcos. À vista disso, congruente a máxima “a diferença entre o remédio e o veneno, é a dose”, torna-se imprescindível discutir até onde a tecnologia pode trazer benefícios e não ferir a ética humana.     A priori, convém ressaltar que, consoante à segunda lei da termodinâmica, o universo tende à desordem. À vista disso, a tecnologia surgiria, sobretudo, para reequilibrar o sistema e manter a estabilidade. No entanto, no cenário hodierno global, os avanços tecnológicos estão sendo buscados, ora para interesses pessoais, ora pelo lado obscuro da ciência, a saber, a clonagem de seres humanos e o descarte de bebês que fogem das características desejadas, como olhos azuis e cabelos loiros. O panorama supracitado vai de encontro à ética aristotélica, uma vez que o ser humano deveria cultivar a justa medida, isto é, evitar os extremos com a intenção de alcançar a virtude.

Sob outro viés, é importante destacar que, se não fossem as pesquisas científicas e a persistência na criação de dispositivos capazes de mitigar as ameaças de doenças epidêmicas, como a peste bubônica, que dizimou mais da metade da população européia do século VI, eventualmente não haveria vida na terra hoje. À sombra da reflexão exposta, é essencial frisar que, quando se usa o conhecimento para o bem comum, há a ausência de extremos e de perigos à ética humana e ao equilíbrio socioambiental. Isto posto, é vital afirmar que o caminho para um desenvolvimento científico saudável que não confronte a harmonia, é um progresso livre de extremos.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de mitigar tal agrura. Para tanto, é fundamental que o Estado, junto ao Ministério dos Direitos Humanos, por meio de fiscalizações e de leis vigentes, imponha sansões a empresas que ultrapassem os limites éticos. E, dessa maneira, que a biotecnologia seja utilizada apenas para o bem-estar coletivo, como o manejo de sementes resistentes a pragas e de fármacos na cura de doenças. E, por conseguinte, a ética aristotélica será respeitada.